sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Benfica Bíblico



Por 30 dinheiros saiu Judas que , há muitas luas, se mascarava de Jesus no campo sagrado. 

O Código do seu nome , JJ, contribuiu para confundir os fiéis. Mas Jorge não era Jesus. Judas era o seu nome de família . 

Na catedral da Luz, idolatrou-se o falso profeta. Os fiéis sentiam, no entanto, que o caminho era JJ. Que seria essa sigla mística a levar o Glorioso pelo caminho sagrado . 

Revelado foi o falso profeta. Filho da tentação e filho dos infiéis, retornou para a casa de seus pais, lá longe , do outro lado, onde se perdem as botas. 

Levou, com arrogância, a sigla mística, JJ. Mesmo não sabendo pronunciar estas duas letras de seguida, não se inibiu de as levar. 

Mas o Senhor tem caminhos misteriosos. E aos justos , providenciou a perpetuação da sigla divina.

E fez-se Luz . E JJ continua na Luz. 

Hoje sob a forma de guerreiros do Senhor. 

Jonas e Jimenez. 

Salvas aos céus , que em bom Português fala o Senhor . Amém . 


segunda-feira, 13 de julho de 2015

O pequeno cantor português

Esperei ansioso para ver o noticiário das 8 . Queria ouvir ouvir os fervorosos elogios que os líderes europeus iam fazer ao PPM (pequeno-primeiro-ministro) Português. Desejava que fosse em várias línguas que o fizessem . Ao género do Euro-Festival da canção. Vinha o Alemão e saudava Portugal com uma litrosa na mão. 10 pontos para o pequeno cantor luso . Depois o Francês emocionado pela surpresa de tamanho gênio que descende dos outros dos Bidon Ville . Quase um filho adoptivo . 10 pontos da França. O Inglês!  Aí , o Inglês não se continha em lágrimas.  Exultava Portugal e o seu pequeno representante. Porque eles ingleses sim , eram o nosso mais antigo aliado. Esta malta não perde uma para colher uns louros . 10 Pontos . Até Malta votou .  Não se sabe bem porquê, mas deve ser por a malta aqui usar a palavra malta. 11 pontos ! Novo recorde do Festival . 

O jubilo não era fora de proporção. Afinal o pequeno-primeiro-ministro acabara de salvar o povo Grego e, por conseguinte, a Europa . Da sua genialidade havia brotado a ideia chave do acordo entre o Euro Grupo e a Grécia. 

Os minutos foram passando e nada . Pensei que isto seria obra dos malvados oposicionistas de esquerda ao regime esplendoroso do PPM. Malandros, já controlam os media. Afinal eu tinha lido pela manhã declarações do pequeno cantor que , de forma modesta, adequada e muito rigorosa declarou que "por acaso até fui eu a dar a ideia" . Bem, por acaso enfardei um bitoque ao almoço . Mas podia me ter encharcado numa caldeirada. Escolhas que ditam o fado da vida . Umas vezes ficamos com gases e outras temos mais sorte. 

Acabaram por não falar do pequeno cantor . Se calhar ele nem chegou a cantar pois não ?

Quem não passa num casting do La Feria para cantar na Revista à Portuguesa  é porque não tem voz nem para as festas de Santo Eustaquio das Matas. Quanto mais. 

Mais deprimente do que fazer mal é tentar passar a ilusão de que até se fez e muito bem .  




segunda-feira, 6 de julho de 2015

Bêbados ou só a queimar

Estou curioso 

Os credores, perante o toque-a-reunir dos gregos, estão perante um dilema. 

Existem dois caminhos a trilhar.

O primeiro é forçar as negociações, dando um chuto em rabo grego e na sua "menor" opinião democrática. Tão  bêbados que estão com o doce mel dos juros agiotas que cobram e nos prazos que os cobram, arriscam dessa foram o partir da corda e o colapso das suas fontes de rendimentos. 

Imagino que , na primeira opção, sonhem com a Quimera de governos soberbos que, vergados e subservientes, rasgam a própria constituição para servir alegremente as praças financeiras...bem, existe um país assim. Chama-se Portugal. Mas esses já estão domesticados pela colossal cobardia dos seus líderes. 

Numa segunda opção, entram num patamar de razoabilidade, bebem menos e mais devagar ..mas continuam a beber . Com mais calma e moderação . Aqui residem, no entanto, dois problemas . Um maior e outro menor. O problema maior é que estão adictos a esse fluxo de capitais que a classe média, enquanto acreditou na Grande Farsa, foi enviando, sem saber o destino exacto, privando os próprios filhos do elementar, privado-se eles próprios dos seus direitos e deveres. 

O problema menor é explicar a países menores na governação, como esse Portugal, que haviam outras formas. Que não se paga em 3 anos uma casa que iríamos  pagar em 30. Que não foram os povos que gastaram demais. Foram as regras que foram unilateralmente alteradas. Que, no fundo, não há regras quando os credores precisam de dinheiro. 

Explicar aos Portugueses, bem entendido seja, porque os governantes, esses, terão já o designer de interiores a preparar o seu próximo gabinete em Bruxelas ou no Goldman. 


quinta-feira, 2 de julho de 2015

Luio Onassis , o Artista




Emerge, depois de um longo tempo de vacatura, um artista plástico português verdadeiramente brilhante. 

Encontrei-o, por mero acaso, no Facebook. Num primeiro olhar, sem lhe conhecer ainda a obra, pensei tratar-se de um Manuel João Vieira da pintura. Ar alucinado e cabelo desgrenhado numa aparência retro dos anos 80, onde o bigode marcava a pincelada final,  Luio Onasis surgia, ele próprio, como uma nova pintura nas redes sociais. 

O segundo olhar foi para as suas criações artísticas. A ousadia do Luio, mente livre , é abrir espaço ao seu próprio imaginário , permitindo dessa forma que, também nós, sintamos a liberdade de quebrar regras e conceitos. 

Acompanhando o artista na sua viagem, compartilhamos da sua liberdade. Pintamos os sapatos ao Ronaldo, somos donos da nossa própria companhia aérea, decoramos o nosso carro de sonho com as cores de plasticina que são o sonho dos nossos filhos. Viajamos em Tourné Europeia, fumamos de cavas com -20C, andamos de mota de água e, por fim, em êxtase, pintamos o nosso próprio bigode. 

Enquanto viajamos, vamos criando. E o artista é como se fosse o lápis de cor do nosso imaginário. Cria a liberdade que sentimos e não conseguimos expressar. 

Não sou perito em Artes. Arisco, no entanto, colocar Luio num patamar de performance criativa ao nível dos mestres. O vibrante das suas cores, a intensidade pungente das formas e a harmonia do traço são as forças criadoras que  fazem nascer obras que diria filhas de Gaudi-Picasso . 

O Luio, de forma intencional ou meramente recreativa, conjuga a criação da sua personagem de homem-artista com as criações de Artista-homem que publica no Facebook. 

O que Luio faz, em suma,  é dar um bigode aos conceitos classissistas, mostrando que antes do artista existe o Homem, que só por si é arte. 

Arte performativa do Luio em perfeito sincronismo com a arte plástica do Onassis. 
 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Nada Alpiarça Nada


Não é fácil escrever sobre nada. O nada, o inexistente, o vazio são desoladores. E tentar escrever sobre política em Alpiarça, tem, hoje em dia, essa dificuldade acrescida. Não existe nada para se observar, criticar ou elogiar. Simplesmente porque nada se fez. E quem nada fez, tem alta probabilidade de não errar.
 

Em abono da verdade, em política, o “nada” é altamente criticável. Afinal os eleitores não votaram em nada. Votaram em algo, num projeto, em pessoas que julgavam capazes de lhes defender os interesses fosse em que dificuldade fosse. Meter a cabeça na areia e esperar que a falta de competência passasse despercebida é que, quero eu acreditar, não estava em nenhum programa eleitoral da CDU.

Por outro lado, além do angustiante nada, existe uma crescente vontade popular de mudar a forma como se faz política. E este sentimento percorre todo o País. As máquinas dos partidos políticos estão ferrugentas, burocráticas e atrasadas no tempo. Sente-se que não representam a vontade dos eleitores e são muitas vezes povoadas por candidatos que se apresentam a votos em terras ou distritos que não conhecem. Por vezes é próprio País que desconhece tais distintos candidatos. Pior, sabem que não representam os desejos dos eleitores e, mesmo assim, prosseguem o seu desejo de se candidatar.

A mudança começa nas Autarquias. Porque são as eleições Autárquicas que melhor representam a vontade das pessoas. Sabemos quem são os candidatos. Vimo-los crescer como pessoas, como gostam ou não de ajudar o próximo, quais os seus valores familiares e como se empenham no seu trabalho para providenciar o melhor possível para os seus enquanto pais e mães de família.

Apenas não se consegue mudar quando os nossos eleitos defendem o Nada. Um Nada que vem do facto de o Presidente não ser Presidente, não ter poder para decidir, da bancada da Assembleia estar sob orientação “técnica” de um olheiro do PCP de Santarém, das orientações politicas virem de Lisboa para “iluminar” estes pobres homens do campo que nada sabem.

E deste grande e gordo Nada que tem sido a governação do PCP em Alpiarça, resulta um Nada de Médicos, Nada de apoios aos agricultores (com honrosa excepção do campo relvado e o muro do Jerónimo à beira da vala), Nada de encolher a divida para continuar a pagar juros á banca, Nada de alterar as políticas escolares e apoiar a formação de jovens, Nada de investir para fixar investimento.

Nadinha de Nada. Nada Alpiarça, Nada.

Como fui criado no campo, aprendi com pais e avós, fosse a aproveitar semente de melão que me cortavam os dedos com gretas ou a carregar às costas cestos de latão com uva “Farrampil” que castigavam os ombros de um franzino rapaz, que o Nada não nos consola o estômago e que mais do Nada lentamente nos envenena a alma.

TODOS BONS RAPAZES


São muitas as vezes em que reflicto, sem vergonha de me sentir desconhecedor, que qualidades são fundamentais para se ser um bom Presidente de Câmara. Será o caracter? Será o partido político que o faz eleger e o apoia durante o mandato? Serão os vereadores, assessores e outros directores?

Concedo que ser autarca é uma missão cada vez mais difícil e exigente. Os tempos que correm, e correm depressa, não dão tréguas àqueles que não se preparam diariamente ou, pior, aos que nunca estiveram realmente preparados e que ostentam com orgulho as velhas práticas do passado. Afastam-se de nós os tempos, 38 anos para ser preciso, em que a boa vontade e os escancarados cofres do estado serviam de camuflagem aos mais ridículos desperdícios de dinheiro e davam asas de grande envergadura para que oportunidades voassem e nunca mais pousarem na nossa terra.   

O que não concedo, como Alpiarcense e contribuinte, é observar, sem opinião ou com medo de a dar, a nossa terra a arrastar-se ao sabor da ideia de que somos pequenos, coitadinhos e condenados ao fracasso.

Não, não somos.

Por outro lado, fazer passar a ideia de que o executivo do PCP, depois de 3 anos de mandato, é apenas uma vítima da gestão anterior e que por isso não consegue governar é desonesto e obscuro. Desonesto para com os eleitores que acreditaram no programa eleitoral do PCP e obscuro porque serve para tapar a incompetência generalizada deste executivo.

Há que mexer, descolar as calças da cadeira Presidencial, cortar a mordaça que o Comité Central ata forte, bater à porta de gabinetes ministeriais e exigir, ser eficaz na estratégia, irreverente na iniciativa e experiente na execução. Em conclusão, fazer o mais básico que deve fazer um executivo municipal, servir a população.   

Uma coisa sei, sem vergonha de ser conhecedor, é que ser Presidente de Câmara não é enterrar a cabeça na areia, carpir supostas dívidas do passado e usar o programa eleitoral apenas como um livro inútil que até pode servir de cunha a uma qualquer mesa de pés tortos que haja lá na Câmara. Porque o povo votou em pessoas, ideias e, para o caso do PCP, em ideais. Os outros partidos também têm ideais, mas é-lhes dada a liberdade de governar em conformidade com as exigências do momento e as características próprias de cada terra. Não precisam de esperar por decisões da sede em Lisboa.

E é esse povo que espera que os autoproclamados arautos da liberdade os libertem e lhes dêem as ferramentas para que possam viver melhor e numa terra melhor. Infelizmente iremos esperar em vão. Um executivo que não se consegue governar a ele próprio não tem, como se vem comprovando, as ferramentas para trabalhar lado a lado com os trabalhadores, empresários e forças vivas da terra.    

Ser Presidente de Câmara não é apenas exibir uma medalha de bom rapaz e outra de homem honesto.

Porque se fossem essas as duas únicas qualidades necessárias para se governar uma terra, então a maioria da população de Alpiarça poderia substituir de imediato o Presidente.

quarta-feira, 13 de junho de 2012


Alpiarça Alvorada


Alpiarça, onde é que é isso?


Tenho passado uma boa parte da vida a explicar, com alegria e orgulho, onde é, e o que é a minha terra. Qualquer pessoa sabe que para sabermos quem somos é fundamental saber de onde viemos. As raízes, a família, o cheiro da terra lavrada, as lagrimas dos que ficam ao ver outros partir. Sentem-se os pequenos lugares, aquela fonte que nos intrigava quando caminhávamos para a escola ou a estrada em pedra que nos castigava os pés mal calçados. As carroças, “coquineques” e tractores que, pela manhã, já levavam meio-dia de trabalho. Gente de pele queimada mas com sorriso brilhante. Um sempre em tronco nu. Vendiam-se melancias à borda da vala. Compravam-se muitas Minis à borda da vala. E o sol ia passando, dia após dia, para nos marcar o passo. Os homens pisavam uvas e os gaiatos bebiam o mosto às escondidas. Depois, de zurrapa, os gaiatos ouviam histórias de um passado recente e comum. Lutas, sempre as lutas. Desde o tempo das paulitadas entre os “caraças” e os “malhados”, as patrulhas da PIDE, levantamentos do povo, ocupações, bandeiras negras da fome, bailes de “gaibéus” com escaramuças em música de fundo. Um povo guerreiro, um povo com orgulho.

Hoje, continuo a explicar, com orgulho constante, onde é a minha terra, quem são as minhas gentes, de onde vieram os meus avós.   

Mas, hoje, continuando o orgulho de ser, falta-me a alegria de sentir.

O passado e a herança são fundamentais para sabermos quem somos. Mas o presente é essencial para sabermos quem viremos, no futuro a ser.

E o presente, a cada dia que passa, é como o Tejo no qual Alpiarça se encosta. Agua estagnada e escura e montes de areia velha em vez de um rio com vida, de águas límpidas e areias novas e lavadas.

Alpiarça vai envelhecendo e arrastando-se. Amorfa. Uma Rua Direita de casas a cair, uma Casa Museu dos Patudos única no pais e à qual se dá a mesma importância que a uma adega de vinho, uma zona industrial escondida atrás de um monte de terra escavada, um parque de campismo que parece saído de um filme de cidade abandonada e assombrada.

Como ter alegria ao ver pessoas que escolhem a nossa terra para viver, vindos de outro País, a vaguear por essa reserva ecológica, usando-a para cuidar da sua higiene pessoal? 

Como ter alegria quando, numa terra em que existem tantos praticantes de caminhadas nocturnas, algo tão raro no País como saudável para quem as faz, se atravessem tantas zonas sombrias da vila, sem luz, como se a própria chama de Alpiarça se estivesse a apagar de dia para dia?

E este é o sentimento que vai atando as mãos devagar. Fomos aceitando o destino e deixámo-nos assombrar e adormecer.

Os decisores de Alpiarça foram distribuindo analgésicos morais e ideológicos. Ficámos adormecidos e dormentes com a famigerada crise e com as supostas dívidas do passado. Deixámos de acreditar em nós e na nossa terra. Porque assim é mais confortável. Pensar e desenvolver é uma tarefa dura e o povo é mais feliz quanto menos tiver que pensar. O mesmo se passa em Repúblicas que não são Repúblicas de Coreias que não são do Sul.

Eu sou daqueles Alpiarcenses que prefere não tomar esse comprimido para dormir. Eu sou daqueles Alpiarcenses que sabe que a terra que os viu nascer não é terra que, hoje, se quer amolecer e controlar. Alpiarça não é terra de gente mole. É terra de um Ribatejano rijo com sangue a fervilhar. Quero estar desperto, atento e sentir o pulso da minha terra.

Alpiarça, por mais que venham para a rua gritar, é uma terra de futuro e de futuros. É uma terra de gente lutadora, gente briosa e capaz, de novas gerações que conhecem o mundo e preferem voltar. De gentes de outras terras que a escolhem para morar. Tem terras férteis, industrias que crescem, paisagens únicas e um potencial de turismo sem paralelo. Em resumo, tem tudo para ser feliz.

Eu acredito numa nova Alvorada e num futuro melhor.

Eu acredito na minha terra.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

25 do 4 - Não me obriguem a viver para rua brindar


25 do 4

Não me obriguem a viver para rua brindar



Começo por desmitificar. Sou democrata, muito obrigado a todos os que lutaram pelo 25 de Abril e permitiram aos Portugueses viver neste regime em oposição a outro pior. Obrigado, também, aos que fingiram lutar, aos desertores, exilados e outros que vieram erguer a taça depois de estarem debaixo dos cobertores, nos dias quentes de Abril, á espera que a “fumaça” encontrasse o seu lugar para assentar. Sem dramas. Somos todos da tribo Portugal, e uma tribo é feita disto mesmo, pluralismo. A democracia, também. Não vale vir dizer que este se empenhou mais que aquele. È uma luta tão inútil como bafienta.

A vida das sociedades, inserida ou não num sistema democrático, é construída pelas posições políticas dos Homens. E por posição política entenda-se cada posição critica que, cada um, como individuo, toma. Nem que seja para escolher os cortinados lá de casa. Nesse sentido, um, diluído numa organização ou de forma solitária, traças as linhas que vincam a personalidade da sua geração.

A minha geração, que alguns de Abril, marcaram a ferro quente como “RASCA”, amarguram em teorias esotéricas para tentar justificar o afastamento e indiferença visíveis dos seus infantes perante a Abrilada.  

Mais Rascas são, os fedelhos. Concedo. Assim como concedo que o meu filho me diga que não pediu para nascer, eu também não pedi nenhum Abril, ou outro mês qualquer.

Podemos pedir o que quisermos mas, no final do dia, teremos aquilo que nos derem. E se nos deram a Democracia, não foram imunes em dar-nos a sede de protagonismo em comemorações repetitivas, enfadonhas, a preto e branco com personagens e personalidades em bicos de pés.

Pelo menos, uma vez por ano, porque os bicos dos pés provocam dor, tenta-se recuperar um dia de 1974, ser noticia e dizer. “Fui eu. Fui eu que te dei isto. Estás em divida eterna para comigo. E vou-te cobrar até que a falta de vida nos separe”

Quando nos elevamos, por mais nobre que seja o nosso feito, como é o caso, devemos puxar dos galões da humildade, envolver todas as gerações num abraço fraterno, arrumando o revivalismo numa gaveta da Historia. Veja-se o 4 de Julho nos Estados Unidos e a forma como todas as gerações são abraçadas.

Não me obriguem, então, a vir para a rua fingir o que não vivi. Estava na barriga da minha mãe. Não me obriguem a vir para rua brindar, convidem-me como igual e, nesse dia, serei um verdadeiro filho de Abril, sem dívidas morais.  Porque, isso sim, é a Liberdade.

sexta-feira, 9 de março de 2012

My F Door

Não se abre a porta da sapiência sem se estar pronto para acolher a ignorância. As vezes que forem precisas.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Aos 3m e 40 segundos

Ela espera envolta numa penumbra fumada do salão. Meia luz. Corpo de violino, faz sentir a sua presença em subtis respirações. Ela sabe quem conduz e quem seduz. Faz isto durante 3m e 40 segundos. Ele, fálico e de voz profunda, contempla. O impeto masculino supera, na acção, a subtileza e a candura do feminino. Quando ele percebe já esta no meio do salão. indefeso. Não desarma, qual homen e não rato, faz-se forte e anuncia-se. Ela corresponde. E depois de 3m e 40 segundo entregam-se numa dança sublimada pela ansiedade da sedução. Ele é um instrumneto de sopro. Ela é um Violino. Literalmente. e aos 3m e 40 segundos dão vida a um mundo de beleza superior.....este é o mundo de Leonard Cohen.


segunda-feira, 11 de julho de 2011

És um Ignorante!















Insistir na discussão religiosa com um ignorante só prova que, afinal, a tua ignorancia é maior que a do outro.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

14 em Verso


Versículo # 1

Anno Domini de 1981















Joana, Joana

Acorda Joana

Agarra no ar a alma que contigo nasceu

Une o teu corpo de menina, corpo em dor

Que separadas brotaram deste ventre meu

Que juntas farão a tua lágrima de amor



Versículo # 2


1981 – Pai Primeiro


Joana, Joana

Onde está a minha filha nascida?

Incontáveis os mosaicos que contei

Silêncio dos cigarros que me isolam nesta ilha

Perdido com tantos gelados que comprei

Para chorar ao som da primeira voz de uma filha



Versículo # 3


De Menina a Mulher


Joana, Joana

Estou para saber o que lhe deu

Não sei Filipe, coisas de miúdas

Parece que te falha a memória do mar

Que muito aprendeste de graúdas

Não te deve agora olvidar o que o mundo tem para dar

Tempos de Casacos Londrinos pelos pés

Alfa Romeo e cabelos ao ar

Não te furtes aos genes que és

Sei que por nada do mundo a deixarás de amar



Versículo # 4


Insónias de Pai


Mas Joana…

Tanto que massacras o teu corpo esguio

Que as orelhas de ouvir não se devem furar

Que pescoço de erguer não é em bicos de metal feito

O teu cabelo rapado que já não pode voar

Não são preparos de menina da Faculdade de Direito

Será Filha, a tua forma de te encontrar?



Versículo # 5


Lisboa, Menina Caloira


Esta é a Joana…

Estás convidada, partilha connosco a travessia

Quirino, Heitor e Xana, muito prazer, sou a Joana

O Marcelo até reparou no traje desalinhado

Mas existem pessoas que se destinam

Que mãos dadas fazem o caminho a ser trilhado

E amigas seremos em campos de amanhã que nos minam



Versículo # 6


Uma Salsicha na Praia


Olha Joana…

Não é possível!!!...Que salsicha é esta que o gajo traz?

Quirino, não fará mal fazer-lhe uma festinha

Que de Salsichas não somos muito entendidas

A tua vida flutua na areia da praia, assim como a minha

Não reneguemos o sol que pode vir de outras comidas

Não me quero lembrar do que não tinha

Quero viver antes da noite e depois das saídas



Versículo # 7


Sentar No Sofá


Pensa bem Joana….

A aparição será agonia, erva daninha no meu solo

Entrará de rompante, de bigode e camisa aberta

Trará consigo no arrasto, mulher já sua e filho de colo

Destroçará o teu coração, o da tua mãe pela certa

Não terá lugar no sofá sentado

Não serei complacente de simpatia, nem um pingo

Não será recebido como namorado….

Não o queres convidar para almoçar no domingo?


Versículo # 8


A Entrevista


Seja bem-vinda Dr.ª Joana

Entrará por essa porta, gabinete partilhado

Moça de Frutaria no supermercado, mas de canudo e formada

Será por mim conduzida e guiada, seu Patrono avalizado

Pouco explorada, por hora, obrigado, de nada

Pode-me tratar por Diogo, ponha o Doutor de lado

Não serei obediente mas permito ser ensinada

Pode-me tratar por Joaninha, que seja esse o meu pior fado


Versículo # 9


A Ultima Caminhada


Joana,

Joana, não chores

A chuva que não caiu, abriu pétalas de nuvens no ar

A luz da manhã era bruxuleante

Uma mulher puxava cabelos como se trabalhasse um tear

Um homem puxava gravatas com gesto pensante

Uma menina vestida de branco para casar

Uma Mãe ansiosa, de tanto pentear e penteada

Um Pai preenchido com alma arvorada

Uma noiva de lacrimejo intermitente, respiração apertada

Desceram juntos, num deslizar flutuante naquela ultima caminhada



Versículo # 10


Acelerou


Joana…Podes repetir?


Um toque, alguém do outro lado da linha

Renovado estímulo em cada nova chamada

Segue-se a aventura de algo novo que não se tinha

Abre-se o mundo, constrói-se uma outra estrada

Estas sentado? Tens de estar sentado!

Gloriosas são as notícias, vais ser Pai

Implode a fortaleza que se julgou que se tinha

Detonada por um coração demasiado acelerado



Versículo # 11


O Bife antes da Vida


Queres Bife Joana?



Bife será, que dura e longa será a tarefa que me espera

Com molho e bem passado, se não se importa

Que me importo eu com dores, passem depressa, quem me dera

Quem me manda a mim chamar o desejo por aquela porta

Numa tarde de namoros, flores e primavera

Intensos beijos, sofreguidão, amor recriado, uma hora

Nascerá em breve outro Amor, Santiago será o seu nome

Porque Maria já o era



Versículo # 12


Dr. Jorge Lima


Joana, Queres?


Quero-te comigo, segura-me a mão direita

A esquerda já foi tomada pelo soro, malvados

Sorrio por dentro com a ânsia do evento, por fora o meu corpo aceita

Serei forte pelos meus homens, nem ventos nem tornados

Rebentam-me os olhos, e o momento não nos aproveita

Está de lado e são quase dez horas, terá de ser operada

Era que mais faltava, logo eu, desistir assim

Antes explodir de dor, darei o que tenho até não ter nada

Senti tudo o que me foi dado, nasceu o Santiago

Nasceu de dentro de mim



Versículo # 13


Os primeiros meses contigo


Dorme Joana,



Confunde-se a noite e o dia, 3 horas de sono já seria cura

Mas aquele ser frágil, indefeso e de leito

Macio, olhos semi-cerrados e boca que procura

Batalha pelo seu lugar no mundo, luta pelo meu peito

Sabemos que não sabemos o futuro

Sabemos que falamos sem palavras, só pelo jeito

Sentimos que nos protegem do mundo que é duro

Sentimos o desejo de um trilho que se quer direito

E adormecemos os dois, no que sei hoje ser amor em estado puro



Versículo # 14


Ultimo de Hoje, Primeiro de Amanhã



Joana, a Mãe chama-se Joana



Palavras compostas, avulsas ou dispersas

Fotografias da minha retina ou de um outro flash

Pouco importa, porque da boca de Mãe tudo se disse em tantas conversas

Que o ouro está naquilo que sinto e que garimpo em cada novo dia que nasce

Aprenderei contigo e serei tua professora

Ensinarei os Lusíadas, que não há poema que se preze sem a Taprobana

Deixarei que sejas livre, que vivas, mas serei controladora

Santiago Maria, meu filho, a Mãe chama-se Joana





sábado, 4 de junho de 2011

E Fidel castro comprou um IPAD…2



Fidel Castro comprou um IPAD 2. Quer isto dizer que já tinha comprado o primeiro, devolveu na loja, dentro do prazo de experiência, e comprou a segunda versão.


 
Poder ser verdade ou especulação, mas é o ponto de partida para a mudança de paradigma na política internacional.


Algo vai mudar no mundo. Florescem os movimentos cívicos, existem centelhas de movimentos de inspiração anarquistas, pacifistas e retro idealistas. O pulsar da alma destas gentes leva-nos a acreditar que estará de volta uma geração de 60 que voltará a convulsionar e, inevitavelmente mudar o mundo.

Existem, no entanto, duas constantes que abalam os, ainda em construção, pilares destes movimentos. A primeira constante é a falsa convicção, já mitigada, de que podemos alterar a natureza política do Homem fazendo-o migrar do desejo de poder para um estádio de consciência social. A segunda é perceber se queremos mesmo mudar e para onde.

Os políticos irão sempre adormecer em sonhos de poder. E a consciência social estará sempre reservada ao indivíduo isolado, sendo medida pela sua personalidade. Ilumina-se então, como óbvia, a solução. Juntar os dois predicados. E aqui começam os reais problemas. Não são compatíveis. Quem deseja o poder e o alcança, no caminho que tem de trilhar e para ter sucesso, estás desprovido ou auto aniquila, no caminho, qualquer tipo de sentido de orientação para as necessidades do seu semelhante. Não se pode pedir que um guerreiro no coliseu sobreviva nutrindo sentimentos de compaixão por qualquer pessoa ou bicho que mexa à sua volta.

Entre o poder e o social, os Homens escolheram, nas duas últimas décadas, o conforto do primeiro em detrimento da provação do segundo.

Não existe, por conseguinte, razões suficientes para uma revolta social como as que assistimos no passado. As democracias estão consolidadas, gostamos da Flat Screen TV, compramos por impulso o que, provavelmente, foi fabricado por crianças da idade dos nossos filhos e adormecemos docemente no sofá que ainda estamos a pagar ao Banco.

Paradoxalmente o nosso acesso à informação é universal. Nunca tantos tiveram acesso a tanta informação. Informação, no entanto, não está na esfera dos saberes e do conhecimento. Estão a uma distância cósmica.

Em resumo, as mudanças profundas ocorrem quando estamos muito pobres ou muito ricos. Na pobreza sobreleva-se o instinto de sobrevivência onde o único objectivo é saciar a fome. Na riqueza este uma fome mais nefasta mas nem por isso menor, a fome de mais poder.

Considerando que o mundo ocidental nos deu o equilíbrio entre o poder destas forças, ficámos desleixados, gordos e preguiçosos. Preguiçosos intelectuais.

Podemos até vir para a rua gritar, contestar os políticos e desejar a lapidação do grande capital. Podemos acampar e fazer um idílico Brain Storm sobre consciências, calores de mudança e novas tendências. Mas não podemos levar o IPAD para ver se vai chover ou onde é o restaurante Vegan mais próximo. Não se pode ter o melhor de todos os mundos, porque escolhemos a dormência do material, o conforto do imediato e a indigestão da informação consumida sem critério.

 
Não sou futurologista, mas julgo que assim que a crise mundial passar voltaremos à suave domesticação. Se a crise não passar, não serão com cravos e abraços e acordos de não agressão. Se a crise se agravar temo que façamos um retrocesso dramático e violento. Não para as flores dos anos 60 ou dos cravos de 74 mas para outros quaisquer 3 F´s que foram a batuta Portuguesa por mais de 4 décadas. E, chegado esse dia, não haverá IPAD que nos valha.


quinta-feira, 2 de junho de 2011

Um Guarda-Redes na Politica

Portugal irá mudar. Essa é uma previsão com alto grau de certeza. Todas as outras, incluindo este ensaio, são meros exercícios mentais.


Em termos políticos estamos entre a areia segura e um mar agitado. Estamos com os pés na rebentação. E os próximos meses, que por mero acaso alinham com a época estival, serão determinantes para perceber se decidimos apanhar sol ou nos lançamos ao mar.

Deixando cair as metáforas para ascender à análise crua e dura do cenário das eleições legislativas.

Como sempre, e não podia ser de outra forma, está tudo nas mãos do Grande Eleitor.

No centro da Batalha estão Sócrates e Pedro Passos Coelho.

Sócrates parece preparado para tudo, considerando todas provações que tem passado, seja por culpa própria ou alheia á sua vontade. Tem “pecado” politicamente por ser um líder desafiante das corporações, reformador e destemido na acção. Errou ao não entender que, em democracia, não se afrontam poderes instalados com avaliações de desempenho. Ou bem que é á força ou então não é. Mas viver em democracia, nestas matérias de “direitos adquiridos”, é como estar de grilhetas. Portugueses todos iguais nos seus direitos e deveres, do Pedreiro ao Professor? Era o que mais faltava.




Pedro Passos Coelho tem sido acusado de ter falta de experiencia ou de Curriculum (Manuela Ferreira leite dixit) para ser Primeiro-Ministro. Pessoalmente discordo. Foi líder da JSD e foi deputado. Para os padrões de exigência dos Partidos Politicos, actualmente, tem perfil bastante. Trabalhou sob as orientações de Ângelo Correia, deu albergue e óleo de polir a Fernando Nobre, confiou as estratégia Financeira a Catroga e logo o extraditou para o Brasil, tem em Alberto João jardim a referência dos valores políticos e acredita que vender a Caixa Geral de Depósitos é a genialidade económica que mais brilhará desde a morte de Alves dos Reis.

Francisco Louçã já não está na puberdade política. A convivência com o poder criou-lhe uma catarse pessoal que pode ser fatal para o Bloco de Esquerda. O BE ficou preso entre o glamour de poder, coligar-se ou não ao PS, e o apego às causas dogmáticas. Está numa encruzilhada. Como a geração de 60, que se rebelou contras todos os valores dos pais, hesita em abraçar ainda com mais pujança o projecto que sempre renegou. Tornou-se neoliberal e capitalista. O erro crasso de estar no meio sem decidir vai provocar uma erosão brutal da massa crítica que se revia nos princípios fundadores.

Jerónimo de Sousa e a CDU, porque aqui não existem veleidades para protagonismos pessoais, vai continuar onde sempre tem estado desde 1974. Estáticos mas coerentes, os Comunistas serão fiéis a eles próprios. Combateram a reacção e têm hoje por missão combater…a reacção.






Paulo Portas poderá vir a ter um papel fundamental no futuro político de Portugal. Maduro, comunicador, e com uma bateria de Sound Bites preparada para qualquer ocasião, tem trilhado com persistência a aproximação do povo às elites do CDS ou, se quisermos, do Partido Popular. PP não é um nome ao acaso. A paródia do Paulinho das Feiras está a colher frutos. O mundo actual percebe que já não se combate o fantasma do grande capitalismo. Pela razão cristalina de que todos abraçámos o grande capitalismo e o grande consumo. Gostamos de sofá, de comprar coisas inúteis e de ter as mãos sem calos. O que valorizamos é o conforto e a igualdade no acesso aos bens de consumo. Porta percebeu isso e tem um discurso de esquerda actualizado aos tempos modernos. Numa entrevista recente cedeu à vaidade e admitiu o desejo de ser primeiro-ministro. Não explicou de que forma mas é fácil entender.

Em caso de empate entre PS e PSD pode-se entrar num limbo politico com inspiração Belga, ou seja, não ser possível formar governo por falta de entendimento sobre quem assumirá o papel de primeiro-ministro. Sócrates, adivinha-se, não irá ceder. Passos Coelhos persegue um sonho de criança e com demasiadas promessas internas já assinaladas. O PCP é o PCP e padecerá do autismo típico da Coreia do Norte. O Bloco de Esquerda, esvaziado da identidade de outros tempos, preso entre o que quer ser e o que representa para os seus eleitores, não terá capacidade nem legitimidade negocial. Corre o risco de uma erosão como aconteceu ao PRD de Hermínio Martinho.

O Grande Eleitor, que está dentro de cada um de nós, terá de decidir entre um governo de Maioria Absoluta e um empate, seguido de prolongamento, com dolorosos e imprevisíveis penalties, onde o herói e salvador poderá ser um imprevisível guarda-redes de nome Portas. Em Espanha chamam “Porteros” aos guarda-redes.



quinta-feira, 24 de março de 2011

Pop Ups - Guerra de Termópila

“Passos Coelho: "(…)todos os partidos e em especial o PSD, têm feito tudo para auxiliar o Pais" Ora bem, já me estão a chamar estúpido outra vez. Será que os políticos não entenderam que a manifestação da "geração à rasca" era exactamente para que TODOS os políticos entendessem que a Higiene mental urge e que o asseio político deve ser uma necessidade básica?”


“Interesse Nacional? Pelo menos e só meia mentira porque a palavra "interesse" consta da expressão! Não podiam ter esperado mais alguns meses até os mercados estabilizarem? Tamanha sede de poder vai provocar a secagem do já pequeno riacho das nossas economias.”

“Pela primeira vez em 20 anos, o PCP anuncia publicamente que esta disponível para uma coligação. A pergunta é: com que Partido???”

“Passos Coelho já fala como se fosse primeiro-ministro. São erros atrás de erros, próprios de quem nem tem perfil...apenas luxúria pelo poder”

“Salvação Nacional e coligação alargada. Para demagogias bastou o dia 23 de Marco. Leiam a história politica da Bélgica nos últimos 6 anos. Não funciona. Tem de ser apenas um partido, seja ele qual for, e com maioria absoluta. O tempo é de decisões corajosas e não de diplomacias ocas e equilíbrios estéreis.”

“Cavaco deveria apresentar o PEC V. Mas teria de incluir, agora e para agravar, a despesa de um novo acto eleitoral e o prejuízo com a subida a pique dos Juros da divida Pública”

sábado, 26 de fevereiro de 2011

POP UP´s

“Anuindo a uma verdade. O amor que damos é proporcional ao que recebemos...ou que viremos a receber. O que somos hoje será a marca de personalidade primária daqueles que nos rodearem no futuro.” – Lisboa, 17FEV11



“Se construíres uma amizade cujo pilar de suporte seja um inimigo comum, ficaras no futuro, não com um mas com dois inimigos.” – Lisboa, 16FEV11


“O dia dos namorados é o dia dos amores não correspondidos. È o dia da solidão maior, de reflexões e de porquês. Mas será, também, para alguns, o dia em que perceberão que desperdiçaram o coração com a pessoa errada. Que bastava olhar para o lado em vez de tentar encontrar o fim de um arco-íris. Para os outros, como eu, é apenas mais um dia de felicidade.”, Lisboa, 14FEV11


“Um dia quero ser esse homem, esse vendedor de flores. Até lá vou colhendo uma flor por dia para partilhar contigo. Que o amor seja sempre com o perfume das coisas simples. O Papá ama-te, Santiago.” Lisboa, 10FEV11


“Ter a consciência da incapacidade de pensar é, por si, um pensamento profundo.” Lisboa, 8FEV11


“A estupidez humana e uma instituição. Temos a obrigação de a preservar. Seria preferível que a pudéssemos arquivar num museu. Mas ainda não temos estudos para isso” - Lisboa, 4FEV11


“Seinfeld: Comecei por pensar que todos nos temos um Cosmo Kramer como amigo nas nossas vidas. Conclui que não. O que temos e um Cosmo Kramer dentro de cada um de nos.” – Lisboa, 3FEV11


“PAN - Partido dos Animais e da Natureza - Aprovado hoje pelo TC. Parece uma escolha interessante, desde que os animais não sejam os Homens e a Natureza não seja a Humana.” – Lisboa, 26JAN11


“É mais salutar a rudeza do "mal-educado" do que a vingança mesquinha do "silencioso".” – Lisboa, 26JAN11


“E assim finda um ciclo. Finda uma geração política que, num determinado dia, pediu boleia aos chaimites dos capitães de Abril e que, desde esse tempo, por lá anda na garupa do engenho. Que venham outros com outros gostos mais equitativos.” – Lisboa, 23JAN11


“Enfarta-me a política em Portugal impregnada deste cheiro a bafio que nos retarda como Pais e que ameaça hipotecar a saúde mental dos nossos filhos.” – Lisboa, 23JAN11


“Mais de metade dos Portugueses cagaram para as eleições Presidenciais. Ponto final, paragrafo. Um grito de desespero em prol da higienização da classe politica que cronicamente vai farejando à volta das mesmas sanitas do poder.” Lisboa, 23JAN11

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Puta que Pariu a Crise


Som de Sonar quando me preparava para rapar mais frio escravizado pelo habito do fumo. Não fumo em casa. Desde que nasceu o meu filho. Regra de ouro. Som de Sonar, telemóvel com toque armado ao pingarelho. Um amigo do outro lado. Esqueci, por momentos, os cigarros.


Carlos, meu bom amigo, como está? Estou bem. Decidi ligar-te para te desejar Feliz Ano Novo. É que amanhã é a confusão. Não se consegue ligar para ninguém, pelo menos ter uma conversa de jeito. Tens razão – anui, com um sorriso interior de alegria provocado pelo pequeno-grande gesto. Amigos são sempre poucos, amigos que mostram afectos são mais raros ainda.

Continuámos. Filhos, família, está tudo bem, ainda bem, um grande abraço, fiquei muito feliz de te teres lembrado de ligar. Mesmo com os melhores amigos não conseguimos deixar de estar formatados para aquilo que é suposto dizer, quem devemos saudar e como o devemos fazer.

Cumprido o protocolo, sou abanado por uma pergunta fabulosa. Como foi para ti 2010?

Não me estava a perguntar pela crise, não me puxava ao fado português nem me instigava para a lamúria e miséria dos costumeiros queixumes. Era uma pergunta de um amigo genuíno, inteligente e verdadeiramente interessado no meu bem-estar ao invés daqueles que nos procuram as misérias para se confortarem das suas próprias.

Respondi. Foi um ano de provação. Provação? Como assim? Olha, Carlos, foi um ano em que fui posto á prova como se estivesse num centro de alto rendimento, um ano em que errei muito, mas principalmente um ano em que, mesmo errante, procurei nunca perder o fito daquilo que é verdadeiramente importante.

E, para além da família, o que foi realmente importante, Pedro? Usar os erros em beneficio da minha aprendizagem e crescimento pessoal. As crises, sejam elas de que natureza forem, servem sempre para aprendermos a nos conhecer melhor e a ver os outros da forma como realmente são.

Na abundância nem usamos peneira. Todas as pedras nos parecem preciosas. Na escassez afagamos a nossa peneira como se a nossa vida dependesse dela ( e depende). Guardamo-la com cuidado e sem a perder, porque finalmente somos forçados a ver que existiam pedras com um brilho cativante mas que nem por isso eram preciosas.

Bem, meu amigo, desculpa a filosofia barata! Não tens nada que te desculpar. Porque achas que continuo a ligar para ti?

Um abraço Carlos. Um abraço Pedro.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Só te Faltam as Orelhas

A minha cunhada deu uma rena de peluche ao meu filho. Olhei para a criatura. A de peluche, claro. Perguntei com ânsia de pai que ouve os rascunhos das primeiras frases de um filho. “Olha o que a tia te deu! O que é?”. Olhos grandes e brilhantes, respondeu. “Usso, Papá!” Um Urso. Curioso. Supostamente era uma Rena. Voltei a olhar. Parecia um cão.


Nada como tirar isto a limpo. Leio a etiqueta para determinar a espécie.

O meu filho já brincava com outro boneco qualquer. Está na idade que eu apadrinho como a idade dos 15 segundos. Máximo de tempo de atenção para cada coisa diferente (ou mesmo para estar parado!).

Made in China. Esta parte assume-se logo. Um destes dias vai deixar de aparecer a referência ao Pais de Fabrico. Sendo sempre o mesmo para quê gastar tinta. E aqui começa a análise. Versatilidade, engenho e produção.
Para memória presente e futura. Não quero ser Chinês, não sou Apóstolo do Capitalismo Selvagem e estou muito bem no meu Pais e a minha cultura é a minha casa. Estes factos, no entanto, não me castram a admiração pela arte e engenho.
Olhei a criatura com atenção. Vários ângulos e sobrolhos depois, continuava em águas turvas. O bicho, de facto, era parecido com uma Rena, um Urso e um Cão. Só as orelhas lhe davam o legado do bicho Rena.
E aqui estava a arte e engenho. Fabricado na China, numa fúria exportadora que permite a este pais um crescimento da economia a 13% (!) ao ano, não existem cá veleidades perfeccionistas e alterações de linhas de montagem só porque uns querem uma Rena na Noruega, outros um Urso no Canada ou um Cão na Alemanha. Nós cá compramos qualquer tralha, por isso não conta. O que conta é que existe alguém com arte e engenho de fabricar o mesmo boneco e que, trocando apenas as orelhas na parte final da linha de montagem, triplica a produção.

Prevalecerá a produção massiva ou a produção personalizada? Penso que a segunda. Ou melhor, como Português defenderei acerrimamente a segunda. Mas teremos de usar as mesmas armas. Arte e engenho.

Na minha terra diz-se “ Para parvo só lhe faltam as orelhas”. Nunca percebi muito bem esta frase. Mas entendo perfeitamente o estado de parvoíce a que seremos votados (e já vamos sendo) de ver o mundo passar enquanto a nossa Arte e Engenho continua conservada em teias de aranha no baú do Velho do Restelo.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

SOMOS ISSO E MUITO MAIS...PÁ!


Começaram por ser vozes dispersas como pequenas acendalhas, abafadas e espezinhadas por uma multidão de optimismo. Há uns anos, aqui e ali, surgiam saudosistas a evocar Salazar. A multidão, essa, marchava impávida e desatenta rumo a uma terra prometida de sonhos e ilusões. Liberdade, Igualdade e Fraternidade diriam os Franceses. Carros, Casas e férias nas Caraíbas pensaram os Portugueses. Salazar? O povo é sereno, era apenas fumaça.

Hoje, de ouvidos preocupados, percebo que existe, de facto, não só fumaça, mas um foco de um qualquer fogo que pode estar para vir. Sou envolvido num negrume maior quando absorvo a transversalidade desta evocação. Portugueses de todas as classes, idades, ideologias, crenças ou em total descrença e aparente alienação vão-se multiplicando em apelos a um ente que “ponha mão de ferro nisto”. “Só lá vamos à cachaporra”, “ O Salazar é que devia cá estar” são frases vociferadas, meio a sério, meio a brincar, por cada vez mais portugueses. Preocupa-me a parte do meio a sério.



Acredito, no entanto, com excepção dos crónicos, que essa evocação é apenas um grito de desespero e que ninguém, tenha ou não vivido a 2ª República, anseie pelo regresso do presidente do conselho. Acredito, na mesma proporção, que o grito de revolta é genuíno e pasmo a minha própria alma na cedência virginal que concedo a Alberto João Jardim pela sua homilia à 4ª Republica. Não é que alguma coisa tenha de mudar, é que tudo tem mesmo que mudar.



Amanhã, dia 24 de Novembro de 2010, uma greve geral irá paralisar o Pais. A sua utilidade rima com nulidade. Sou acérrimo defensor do direito à greve mas já estamos paralisados há anos a mais. Percebo, com mágoa, que esta greve nada vai acrescentar e nada vai produzir para além da promoção das mesmas serôdias figuras que encabeçam os principais sindicatos e os mesmos actores dos diferentes partidos num reinado, alguns, quase tão prolongado cronologicamente como o do presidente do conselho. Até na forma e conteúdo deste tipo de greves estamos 20 anos atrasados.



Freitas do Amaral escreveu, sabiamente como é seu uso costume, sobre as 5 crises que atingem o País e o mundo.



Ted Sorensen, falecido no passado dia 31 de Outubro, mentor e executor dos discursos de J.F. Kennedy, escreveu para a tomada de posse do presidente dos EUA, fará 50 anos em Janeiro de 1961, o apelo “Não perguntem o que o País pode fazer por vós, perguntem o que podem vocês fazer pelo País”.



As crises têm a virtuosidade de serem um crivo onde, inevitavelmente, o joio cairá desamparado. O trigo, esse, germinará com mais força que nunca. E os Portugueses são trigo, e trigo da melhor selecção mas que tem sido esmagado por um joio secular. È tempo de darmos valor a nós próprios, de encher o peito de orgulho nas suadas de um pai que entrega o pão do dia a seu filho, de uma mãe que quebrou as barreiras do Patriarcado Social com a conquista do seu sonho profissional realizado, de um irmão que leva o nosso mais precioso produto exportável, a inteligência, a todos os cantos do mundo.

 
È o tempo de acreditar que somos muito melhores do que aquilo que alguns, por não o serem, nos têm feito acreditar. A essa acção já se chamou propaganda.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Crónica de uma Caderneta

Meus desconhecidos amigos. Estranha frase de abertura. Desconhecidos porque nunca vos tinha visto mais gordos (por acaso o Markl é bem mais elegante do que eu imaginava e o Palmeirim bem mais alto que a mítica imagem que explicitamente criaram na minha mente. Sacanas!). Amigos, porque a “Caderneta de Cromos” nos transporta para um delicioso lugar-comum da nossa pré-existência.

Tenhamos crescido em Alpiarça ou em Benfica, hoje, com a “Caderneta de Cromos” sentimos o conforto de nunca termos estado sozinhos nesse calvário da adolescência. Pena ser apenas hoje porque as galhetas nas fuças já ninguém nos tira. Não tem mal. A dramatização do Markl a apanhar tabefes e a fazer o transporte dessas experiências para algo de sucesso fez-me, também, sentir um John Rambo a atafulhar de pólvora um buraco na barriga, acender um fósforo e, depois de um esgar de dor, estar pronto para voltar….para o pátio de escola. Cria-se, através do humor (a mais inteligente e sensível das Artes), a marca indelével de uma geração.

Não vos deve ser alheio o desejo, tal foi a peregrina atitude de levar um programa de Rádio a um Coliseu pelas costuras, de perceber o que os sobreviventes da plateia, lugares de visibilidade reduzida e Piolho, sentiram e pensaram. Não estarei com subserviências do elogio cliché. Vocês sabem bem que correu muito bem.

Dar-vos-ei o espectáculo segundo o figurante.

Quatro “Rock-Stars” que se sentaram numa mesa para falar com os amigos. Sem pretensiosismo, despiram-se da rigidez das regras do showbiz e vestiram a pele dos figurantes. Sentamo-nos, então, todos à mesma mesa. Primeiro impacto. Já todos à mesma mesa fomos partilhando infâncias, memórias, imaginários com mais e menos intensidade. Porque se em Lisboa havia muitos “Playmobis” na província lavravam-se árvores de Grampos (que os nossos pais traziam do trabalho para encetar essa arte hoje conhecida como bricolage – nome francês tão amaricado como tantos outros, com a honrosa excepção do menage-â-trois).

Segunda vaga. Os mitos vivos. Júlio Isidro, a quem também atribuo essa espantosa metamorfose de ter passado de um homem a preto e branco a um ser de estroboscópio a cores, que nunca tinha visto ao vivo, iluminou a sala. Curiosa sensação esotérica de sentir uma aura tão potente de energia positiva à volta de uma só pessoa. As vénias que, especialmente o Pedro Ribeiro, lhe fizeram, passaram rapidamente de um suposto acto teatral a essência real de quem, acto reflexo, faz o que lhe vai na alma. Por falar em Pedro Ribeiro, e como eu o compreendo, acho que não vamos poder fazer isso ao Jesus este ano.

José Cid. Incontornável conterrâneo Ribatejano, trouxe-me a magia que sentimos quando, ao crescermos, passamos a admirar o Génio de alguém que julgávamos, na nossa “parvalescência”, obtuso e pouco “Cool”. Quem lhe conhece as virtudes sabe que, comparado com ele, pouco “Cool” é a arca Frigorifica.

Cai o Pano ou outra coisa.

Os gelados Fizz, grátis como quando roubávamos o Sr. Alfredo da Mercearia, foram um dos momentos. Certo que prejudicaram os merecidos aplausos ao Cid (excepto para quem pôs aquilo tudo na boca e ficou com a língua roxa). È que nós, os figurantes, queríamos aplaudir o artista entusiasticamente e acabámos distraídos a pedir desculpa pelos pedaços de Fizz que, com as palmas, estavam a aterrar nas pestanas dos vizinhos. È que nem todos os figurantes eram da turma dos cromos e ainda se ameaçaram uns tabefes à moda antiga.

Passado isso, saímos a sorrir com o pau na boca (cuidar esta passagem que é Mariana e imaculada) e com o calor de saber que pertencemos a uma grande e feliz família amish.

Estão reunidas, por mais macabro que pareça, as condições para criar um Partido Politico para governar o País

Em síntese, seja no Chucky Egg ou na Trampa de Pais dos nossos dias, vencem sempre os Cromos. A diferença é que uns são bons cromos e outros nem por isso.



A sério, a sério, parabéns, bem-haja e muito obrigado.