quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Jesus trouxe a Luz


Não vamos ganhar a Liga Europa, nem a Taça de Portugal, nem tão pouco o campeonato. E se ganharmos? Para mim, nesta fase, é-me totalmente indiferente. Aceito uma ou outra condição com o mesmo sorriso de alegria.

Fomos à Bola no Saldanha. A nossa estreia no Café 10 do Rui Costa, decorado com Imperiais e Pregos com mostarda e que tem nas paredes estranhos canais de Televisão que, não sei porquê, não consigo sintonizar em casa, foi para ver a primeira derrota do Benfica no campeonato.

Sorri para a minha mulher no fim do Jogo. A Joana, mais encarnada que um pimento, cor que se come agridoce quando se partilha o eterno colorido do Benfica com a cor da nossa pele na fúria de uma derrota, não entendia o meu estado de espírito calmo. Um estado de “Fen Shui” que a Luz mais Brilhante nos traz. A Luz do prazer de ver, passados tantos anos, o Benfica a jogar Futebol.

Hoje, o tempo que dedico a um jogo do Benfica já não é em vão. È um tempo de paz e alegria, tempo de sentir que são substantivas as palavras clichés do Futebolês “trabalhamos a semana toda”. Pois trabalharam. Perdemos. E depois? Como em tudo, neste caso o Futebol, perder e ganhar é a busca incessante do equilíbrio. E o equilíbrio tem sido uma incessante constante. Da constância nasce a regularidade. Se um campeonato de Futebol é uma prova de regularidade, está explicado o meu estado de espírito.

Perdemos o jogo sem perder no orgulho do trabalho árduo e da obra-prima de cada jogada ensaiada.
A provação do fiel é o caminho do vale escuro em que nada é temido. No fundo existirá a Luz. Essa Luz está sempre dentro de nós, mas no caso do Benfica foi mesmo preciso Jesus para a voltarmos a sentir.

Na Terra vizinha do homem Santo

Jesus tem como vizinho um homem santo, Bento. Está abaixo de Jesus na hierarquia divina, mas não deixa de ser um homem santo. Tenta guiar o seu povo pela escuridão do Vale de Alvalade, profundamente escuro. Não lhe reconhecem essa capacidade. Mas da adversidade nasce a iluminação. Bento proferiu as palavras mais bonitas que algum treinador de Futebol Já alguma vez ousou. Quando questionado sobre a eventual pressão que sofria às mãos dos seus fieis, Bento respondeu “ Pressão sente um pai que não consegue dinheiro para alimentar os seus filhos.”
É o homem certo para os fiéis errados.




domingo, 25 de outubro de 2009

Saramago, O Guardião da Bíblia

“Caim” reavivou memórias e o braseiro da polémica atiça uma fogueira que se julgava em rescaldo.

Aos Homens de Deus, do século presente, é vetado o ígneo desejo. As fogueiras são hoje metafóricas, tal como se deseja que seja a leitura da Bíblia. Literal é a ostracização social que advém da liberdade de dissidência. A carne assada da idade das trevas, literal, deu lugar à cozedura de intelectos numa panela de água fervente com molde de cérebro, metafórica. José Saramago não irá arder nem, tão pouco, será possível que lhe cozinhem o intelecto. Nem neste mundo nem no próximo.

José Saramago é o paradigma da defesa de Deus. A sua relação com Ele é como a de um filho que ama e admira secretamente o pai mas que padece de uma relação conturbada nos dilemas das indecisões diárias da figura paterna.

O “Evangelho Segundo Jesus Cristo” foi a toma de coragem na primeira afrontação. Questionou o Pai. Porque havia Ele de deixar que os Homens tivessem feito letra própria de uma palavra que não era a Sua? Que veleidade essa de permitir um Concilio onde foram escolhidos Evangelhos desviantes da sua Vontade? Um Criador deveria interceder e corrigir o caminho dos Homens que criou. Sente que os Homens fazem o que querem da Filosofia de seu Pai. Seja na Bíblia, em doutrina ou cultura Popular. Sente-se defraudado.

A idade não lhe esbateu a coragem de querer entender porquê. Não quer confrontar os seus irmãos. Não lhe interessa. Sabe que são inocentes mesmo quando a crueldade lhes guia a vida. A figura de Pai ausente obrigou os irmãos a fazerem as regras da Casa. Como qualquer Pai que abandona a sua Casa, levou consigo a esperança que os conselhos deixados em “post-it”na porta do frigorífico fossem suficientes e sapientes. Mas os seus filhos, feitos à Sua imagem, têm a mesma prerrogativa do abandono. As regras da Casa, escolhidas e encadernadas, foram o primeiro abandono dos conselhos do Pai. Chamam-lhe Bíblia. Disse ao irmão Carreira das Neves – “A Igreja não percebe nada de Deus”.

Mas não perdoa ao Pai. Não pelo abandono mas porque Este não lhe responde. Tinha prometido que, mesmo ausente, seria omnipresente. Que mesmo sem voz audível nunca deixaria de ser voz presente. Que a sua invisibilidade seria complementada pela luz do caminho a seguir. Mas as Regras da Casa endureciam em imputações de culpa, castigo, penitência e subjugação. Em nome de um Pai ausente e camufladas com um castrante “seria assim que ele desejaria”. Consciente do esventramento do velho “post-it” do frigorífico, não conteve a revolta. Num fôlego desabafou. È um Filho da Puta que trabalhou seis dias, descansou no sétimo e até hoje não fez mais nada. Excedeu-se na metáfora. Deus não tem mãe e o pecado original é posterior à Criação.

José que, ironicamente, tem a graça do pai do Filho do Homem é, de facto, o Guardião do Livro das Regras da Casa.
A idade mental dos irmãos mede-se pelo vociferar violento contra José quando este os questiona. Alguns já foram membros do governo e outros são eurodeputados e deputados.

É que o Livro foi escrito como arma de controlo para que os intelectualmente mais fracos pudessem mandar na Casa e dominar os irmãos que se mantêm fiéis ao “Post-it” do Pai.
Isso deixa de ser possível se o Livro é posto em cheque....ou em forma de cheque... ao Portador.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O Farol de César


Meu caro amigo César,

Longe vai o tempo que te conheci no incontornável congresso da Chamusca. Ficou célebre o evento. Era um dourado caldeirão de novas ideias a fervilhar na febre dos amigos novos que se faziam a cada palavra. Análises politicas profundas na medida que a nossa inocência nos permitia e a agregação de sonhos pessoais e colectivos. No fim da safra ficou a demanda de 20 imperiais de cada vez para uma mesa de 9.

Desse tempo para cá ficou uma constante. O César Diogo era de Muge e ostentava com orgulho a origem. Não queria ser de mais lugar nenhum, não ambicionava ser deputado ou ministro. Simplesmente era de Muge e, pilar dessa condição, justificava, per si, a estadia. Um único desejo. Representar a sua terra.

O sufrágio das últimas autárquicas premiou a linha condutora da tua coerência e perseverança.

Ser Presidente da Junta de Freguesia de Muge é representar, defender e zelar com o mais nobre grau, o que sempre representaste. O teu povo. O Povo deMuge.

È por isso que és um Farol. Um Farol de esperança nos Homens que acreditam em sonhos e se mantêm impolutos da pequena política feita de engodos de cargos que pensam querer e que os fazem desviar da crença original.

Não será exagero o titulo do artigo. È tão adequado quanto o teu novo cargo.

Marcador Fluorescente

Uma pessoa, uma ideia.

Depois duas e, contágio, num ápice foram 20.000 a dançar. Celebravam a alegria da dança e da música. No fundamento, celebravam a intensidade de pertencer a uma humanidade que vibra quando pensa ou sente que partilha algo maior.

Foi assim com os “dançarinos” de Alexandre, César, Napoleão, Bolivar, Hitler, Ghandi, Benazir, Evita, Mandela ….


Chocados por estarem todos no mesmo saco? Não é um saco! È o Planeta Terra.

terça-feira, 13 de outubro de 2009