segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Manuela Ferreira Sócrates




Campeonato da 2ª Circular

Manuela Ferreira Leite faz-me lembrar os últimos anos do Benfica.



Contratavam-se treinadores de renome e reconhecida competência….e estrangeiros. Iludiam-se os adeptos que, ávidos de sucesso, prostravam-se na ausência de raciocínio lógico ao não entender que, por melhor que seja o treinador, este tem de conhecer o Clube, o campeonato e ter bons jogadores para ganhar. Ferreira leite é o treinador...estrangeiro. O Clube é o PSD e os jogadores são aqueles que não tiveram lugar em nenhuma equipa de nenhum conselho de administração e ficaram encalhados no campeonato da retórica Parlamentar.

Hercúleo esforço este de dirigir uma equipa que não se escolheu. Podemos disfarçar muitas coisas, mas é muito difícil irradiar alegria quando dirigimos um grupo de trabalho que, além de não termos escolhidos, detestamos visceralmente.

E, acredito piamente que os poucos que escolheu, são erros de casting. Começando no que disse na Madeira sobre o conceito democrático, passando por um programa de Governo de 39 (!?) páginas a acabando na preparação do debate com Sócrates.

Curiosamente Sócrates é do Benfica e os Dias Ferreira (Leite) são do Sporting.




O Debate



Sócrates entrou ao ataque para provocar a irritação da oponente. Irritados, dizemos o que pensamos verdadeiramente. Tenho para mim que Ferreira Leite disse o que pensava, mas não disse o que tinha planeado e o que queria maquilhado.



Sobre o regime democrático na Madeira foi forçada, porque a coerência é moeda de ouro na política, a reafirmar o que havia dito sobre os 20 anos de maiorias absolutas de Alberto João Jardim. Existem muitos países de 3º mundo onde estas democracias são vigentes. Ao defender este principio contradiz o seu desejo de alternância democrática e, cereja, a sua própria candidatura. Se Sócrates tem maioria absoluta e esse é o caminho democrático e de desenvolvimento, então está a apelar ao voto no PS…para os próximos 20 anos.

Um Programa de Governo, que define o rumo e estratégia para o País e para todos os Portugueses, com 39 páginas, tem o mérito de um trabalho de fim de semestre de um aluno do 10º ano. Defender, depois, que é pequeno porque só se escreve o que se pretende mudar, além da assunção do bom trabalho desenvolvido pelo Governo em funções, é o mesmo que o aluno dizer ao professor que tem tudo feito mas perdeu a mochila no autocarro.


A Alta Velocidade marcou a diferença de andamento. Sócrates defende, Manuela suspende. São posições legítimas. A argumentação é que me preocupa. No tempo do Dr. Salazar era proibido vender e consumir Coca-Cola em Portugal. A razão era simples. Isolava-se Portugal em termos económicos mas protegiam-se os superiores interesses nacionais….do único produtor de Laranjada. Ferreira Leite usa o mesmo ideário para suspender o TGV. Isolar Portugal da Europa, neste caso sem propósito aparente, só para fazer pirraça aos malandros dos espanhóis que nos querem pagar taxas pelos produtos que transportaremos para lá e que provêm de todo o mundo utilizando Portugal como entrada estratégica de mercadorias na Europa. O TGV é Europeu e a economia também.


Nada de estranho para quem já defendeu a suspensão do Regime democrático por 6 meses.


O Bloco Central


Manuela, ao contrário de Sócrates, repudia qualquer entendimento pós-eleitoral com o PS. Concordo plenamente. Será impossível governar o País com um bloco central quando já se vê a luz ao fundo da crise. Sócrates é astuto. Não fechou a porta a um entendimento pela mesmíssima razão. Os Portugueses percebem que as maiorias absolutas são mais produtivas que as relativas ou governar em minoria. Com isto, ambos forçam o voto dos Portugueses e, sem o dizer, apelam ao voto útil. Na dúvida, entre quem está disposto a ceder e quem é intransigente, vão optar pela moderação. Cansados da intransigência das reformas de um governo maioritário, irão votar num Sócrates disposto a ceder…O mesmo Sócrates que chefiou esse governo.


Não sou vidente mas Sócrates não só vai ganhar, como vai ver a maioria absoluta ser reforçada.


Quatro Anos de Quarta Classe


O próximo Primeiro-ministro terá méritos e deméritos. Irá, inevitavelmente, errar e acertar. O que não é inevitável é termos de ouvir, nos próximos 4 anos, milhares de horas de registo vocal da Dr.ª Manuela Ferreira Leite. Dirão que é discriminatório penalizar alguém pela imagem, postura e timbre de voz. Mas já que temos que penar com algumas decisões de um primeiro-ministro, que não seja a toque de cana de uma Professora Primária dos anos 50, de régua na mão e com aquele olhar sobranceiro que nos remete a um patamar de estupidez e pequenez.


Se outras razões não fossem já certezas, esta, per si, seria basta.


quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Loiça de Sócrates

Louça cedeu à tentação de poder.....Poder Governar.

Iniciou a pré-campanha alinhado no registo de fita magnética gasta do PCP e, aparentemente sólido como uma rocha, afirmou que jamais faria uma coligação com o PS para governar.

No debate de ontem, com Sócrates, tentou fazer a suave transição, da rocha dura para a pedra-pomes. Já não renuncia a um ministério, ofuscado pela luz do poder.

È compreensível. Sendo Socialista deste sempre, como reiterou, é entendível que, após tantos anos de trabalho, já é merecida uma recompensa e um reconhecimento do povo Português.

Na presença do candidato José Sócrates, ainda Primeiro-Ministro, quis mostrar que está pronto e no ponto. Vestiu uma postura de estado (mas com o cuidado de não ostentar gravata) e desenhou uma estratégia de discurso diplomático e de estado para debater com um secretamente desejado futuro chefe.

Sócrates não dançou nessa fogueira e, constante da sua personalidade política, estava preparado. Sabia da importância do debate, consciente de tantos outros no plenário com Louça, optou por debater e clarificar, usando a estratégia de Louça…

Louça lidera um movimento fracturante e anti-sistema. Tem por timbre o esmiuçar de cada detalhe governativo e, munido de uma oratória populista, ataca consecutivamente qualquer governo.

Foi Sócrates, desta vez, que se sentou na bancada da oposição, e pediu esclarecimentos a Louça sobre o Programa de Governo do Bloco. Apanhou-o no nervo ciático. Não existem explicações para programas inexequíveis. Só existe demagogia que, inevitavelmente, nos atira para fora da rota da realidade presente.

È bonito, assim como construir uma máquina do tempo e ir ver como o meu tetravô conquistou a minha tetravó, mas não passa disso mesmo. Impossibilidades.

Quem sabe que nunca chega ao poder tem a faculdade do poder de iludir e, nefastamente, dizer o que as pessoas supostamente querem que ouvir.

Sócrates ganhou o Debate e passou a mensagem que apenas dois partidos estão em condições de poder Governar. E a estratégia foi tão simples.

È que ao longo dos últimos quatro anos, Sócrates foi forçado a lutar no campo de batalha que Louça lhe preparava meticulosamente. Aprendeu a sobreviver em território hostil.

Louça, ao contrário, nunca foi governante. Não conhece o terreno.
Sócrates seduziu-o a interpretar esse “roll-play”…
E Louça partiu-se…Como Loiça.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

"TOTÓS"

Lembram-se daquele “Totó” que havia em todas as turmas e que tirava sempre boas notas?

Alvo de eleição para partidas e tropelias era o “Totó”, invariavelmente, o primeiro a ser premiado com uma alcunha.

Seguia-se um ano lectivo de solidão para este triste ser. A solidão e isolacionismo eram constantes que caminhavam a par e passo com outra constante. Os bons resultados escolares.

Hoje, à distancia, consigo perceber o porquê. O “Totó” era um mau exemplo para os outros. Como trabalhava e se esforçava por objectivos e resultados, tinha de ser ridicularizado. Se os seus pares caíssem na asneira de fazer dele um exemplo, então todos tinham de trabalhar ao seu ritmo, provar do seu esforço e amargurar por tempos de brincadeira perdidos.
Acresce o problema de que a figura de “Totó” transitaria para o puto com pinta de brigão que teria de bater em muito mais gente.

A luta entre Sindicatos dos Professores e Ministério da Educação não é muito diferente. Existem “totós”, putos brigões e miúdos que só querem mesmo é passar de ano.

Ao longo dos anos os professores foram desenhando, dentro da sua Classe, as suas próprias personagens. Os “totós”, poucos, foram-se dedicando à escola, aos alunos e à pedagogia. Os putos brigões faziam excursões da “sande e mini” à Av. 5 de Outubro, arrastando os que só sonham em passar de ano, para reclamar mais direitos.

Deveres?
Apenas aqueles que são exigidos aos alunos, ou seja, aparecer lá na escola, assinar o livro de ponto e já está.

Depois era esperar que os anos fossem passando. Passando o tempo e passeando pelos buracos desse coadouro da não existencia de qualquer critério de avaliação, para chegar à reforma com o mesmo vencimento dos colegas “Totós”… que ficaram na escola, a trabalhar.

Os alunos, pelo menos, para além da presença física, ainda tinham de apresentar resultados para serem avaliados pelos Professores. Professores que, por sua vez, avaliavam e ajudavam a criar mais “Tótós”.

O que ninguém parece perceber é que os alunos, vão questionando a autoridade, pelo menos moral, dos seus mestres.

Valerá a pena ser “totó” quando se tem pela frente, como modelo a seguir, um “puto brigão”?

domingo, 6 de setembro de 2009

30 Catarina




Tão poucas palavras para um agradecimento tão intenso.

As lágrimas, genuínas como tu, chegaram ainda a tempo de envolverem as palmas dos amigos e mesmo a tempo de se fundirem com o fumo das velas do teu bolo de aniversário.

Registei, uma por uma, cada palavra. Não foi difícil por serem poucas, foi por serem tão sentidas. Sentidas por ti e por quem te ama.

“30 Anos, 30 pessoas…as pessoas mais importantes da minha vida”.

A minha singela homenagem, na honra de pertencer a esse punhado pessoas que tens no coração, é contar-te o que não viste…na tua própria festa.

Como um caranguejo

Começo pelo fim. Arribei a casa sóbrio e exausto. Não Cayolla, nem sempre te posso acompanhar. Perdoa-me a falta de solidariedade, meu bom amigo. Exausto, não da festa, mas da espontânea tarefa de consultor, da qual foi incumbido, para futuros Papás. Foram workshops sucessivos a carecer de sensibilidade estratégica para não influenciar decisões e acordos firmados entre pombinhos. Sóbrio pela mesma razão.
Recebidos, eu e a Joana, por uma esplendorosa aniversariante, linda de morena e de branco vestida, fomos encaminhados, de imediato, para o quarto. (espero que ninguém leia este paragrafo isolado, não vá parecer que eu e a minha mulher fomos a outro tipo de festa).

O Quarto da Catarina

Conclave no Quarto, iniciei os meus labores. O André apanhou-me e, naquele registo de sorriso contagiante e sincero, com um humor inteligente e refinado que é a sua marca água, esbofeteou-me sucessivamente e sem piedade com todas as perguntas que se lembrou sobre a paternidade. Dei-lhe a realidade nua e crua, sempre supervisionada com a experiencia do Gonçalo que já tem 4 anos maravilhosos de Diana. Fiz o meu melhor, mas fiz mal. Dizer-lhe que acordo ao Sábado às 06h30 arrasou-lhe os sonhos de uma paternidade breve. Querida amiga Carla, perdoa-me que não sei o que faço, nem tão pouco o que digo!

Enganar criancinhas

Mas quem “ensina” também aprende. Contou-me, o André, como se engana um filho. Em duas experiencias. Uma na primeira pessoa e outra como observador. Observou nos Açores, com a sua Carla, como é que uns amigos, que têm um pequenote que só gosta de Bife, lhe dão peixe para comer. Para enganarem o petiz fazem polvo gizado, cortam os braços do bicho às fatias e tiram os tentáculos. O petiz pergunta o que é aquilo. Eles dizem que é “Bife de Polvo, filho!”. E o puto sorve o suculento bife enquanto o imagina o animal a pastar numa pradaria.
Na primeira pessoa, ele próprio, como vitima destes esquemas escabrosos do Pais. Para largar a chucha prometam-lhe que lhe dariam um equipamento do Benfica. Ela largou a chucha mas deram-lhe apenas uma bandeira. Hoje, ainda traumatizado, relata a história com os olhos molhados. Comprou lugar cativo na luz, presumo eu, para compensar o desconsolo da abstinência da chucha.

Conselhos Parvos

A Carla e o Daniel também quiseram saber um pouco mais deste desporto radical de ser Pai. O que lhes contei do parto da Joana, do facto de ela não dormir 8 horas seguidas há quase 7 meses e da revolução da vida burguesa que se leva antes de ter um filho, empurrou a Carla para uma reflexão mais ponderada. O Daniel, no seu registo alternativo que não cessa de me surpreender, dissertou sobre o Diploma de Mérito que Mussolini atribuía às mães italianas com mais de 4 filhos.

O Telmo e a Inês continuam eufóricos com a aproximação da data do nó. Perguntou-me, quando saiamos às 2 da manhã, assim do nada, se eu tinha algum conselho para lhe dar, como que saído da algibeira. Aquela hora, com vinho Cheda do Douro, disse-lhe que podia ser boa ideia fazer um Ramadão até ao casamento para ter uma Lua-de-Mel inesquecível. Por falar em conselhos parvos….

A Varanda

Na varanda, em animada conversa com o Gonçalo, ele repara na reluzente menina que esta sozinha na outra ponta. Pergunta-me se eu a conheço e se posso fazer as honras. Viro-me e vejo a minha boa e fiel amiga Joana Quirino…que já é noiva do Gonçalo. Entro na brincadeira. Ela não se mostra interessada. Diz-me que a Morangoska lhe assenta melhor que os olhos azuis do meu amigo. No fundo é amor profundo. Afinal, a Joana e o Gonçalo, vão casar já daqui a 2011.

O Pedro Catarino

Entra o co-anfitrião em cena. O Pedro é um companheiro fantástico. Para a sua Catarina e para os amigos. Perfil discreto mas sempre presente, não permite que ninguém se sinta sozinho. Na varanda, na cozinha, no quarto, na sala. O Pedro está em todo o lado, tem sempre algo inteligente para dizer, mesmo depois de ouvir, durante intermináveis minutos, teorias e lamurias sobre os jogos de sombras do mundo da política. Concluiu, para os que se queixavam das deslealdades, facadas nas costas, rasteiras e tropelias, com uma frase que nos estalou na cara;
“Mas essas são as regras, não são?”

Chegar antes para contar depois

Desta vez não fomos os últimos. Para quem, como eu, tem o hábito nefasto das más relações com os relógios, chegar antes e receber os outros é uma experiência que aconselho. Aprende-se imenso porque cada pessoa que chega vem imbuída num pensamento e numa história anseia partilhar com os amigos.

A Minie vinha radiante de Londres. Tinha viajado em classe executiva, na Easy Jet, na companhia do Económico CEO da Virgin Portugal.

O Miguel tinha vindo de Londres, também, mas propositadamente para festa da sua “irmã”. Vinha com Gripe A mas não o podíamos mandar embora depois de todo aquele sacrifício. Ele lá ia dizendo que era do Ar Condicionado mas a malta passou a grande parte da festa a lavar e a esfregar as mãos pensando nos folhetos e anúncios que nos infestam de medo. Tenho cá para mim que os accionistas da Roche também esfregam as mãos, mas não é com água.

A Nádia, minha futura colega de Governo, contagia-me sempre com o sorriso aberto e com uma energia positiva tão própria dos bons. Não falámos muito mas fumámos uns cigarros enquanto se assistia à vida privada dos vizinhos da frente.

Paulinha, a cidadã. Já não nos víamos há muitas luas mas existem coisas que não mudam. A Paulinha é daquele tipo de pessoas que não se esquecem e com quem reiniciamos uma conversa que ficou a meio, há mais de um ano, como se tivesse ocorrido a semana passada. Inolvidável.

Enjoar o desenjoo

A Sofia reconheceu-me. Sem fato e gravata, no registo informal que tanto gosto, falámos sobre a maratona que é enjoar e desenjoar dos restaurantes na zona onde trabalhamos. A Marta Telles concordava. Somos todos vizinhos. È um circo e um ciclo. Vamos uns meses a um restaurante e enjoamos. Passamos ao próximo e voltamos a enjoar. Até que damos por nós a almoçar no primeiro que enjoamos,já enjoados de todos os outros.
Até falamos de um tal restaurante na Av 5 de Outubro que, segundo a Sofia, tem empregadas "recicladas". Ingénuo, quis saber mais sobre esse conceito. “Epá, trabalhavam todas numa casa de meninas quando eram mais novas. Agora são empregadas de mesa”. Pensando bem Sofia…

2.oo p.m.

Senti uma vibração no bolso das calças. A Joana já estava à minha espera. O Telmo, a Inês a Sofia eram as damas de companhia de minha dama. A Rua estava lotada de novas cores, tendências e gostos. A Catarina, anfitriã e bar-killer, já não se importa muito. Despedi-me e desci. Rua abaixo, fui falando com o Telmo sobre os putos de hoje em dia. Tatuados, trongos no vestir, radiantes no calçar e todos furados, parece que não têm valores nem objectivos. Claro que têm. São os deles. Necessariamente diferentes dos nossos, para que possam sentir a amargura da crítica, a ousadia de ser diferente , o gosto de estar desalinhado. Nós também crescemos assim. Agarrados a um barco prestes a naufragar a todo momento, lutámos, ganhámos força. A maioria chegou à costa. È por isso que hoje olhamos para este presente com o desdém de marinheiros com pele de cortiça, feitos noutros tempos.

Cai o Pano

Cai o Pano, fim de festa. Nem por isso. A festa de um amigo especial nunca acaba, porque nos fica para sempre impressa. È a nossa memória, faz parte indelével da nossa vida, da nossa identidade.

Porque a identidade de um só é possível com a partilha da identidade de outro.

Parabéns Catarina Lins

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Logica do Tuberculo


Ligou-me um amigo.


Queixou-se intensamente desta forma de trabalhar à Portuguesa, caótica e desorganizada.
Tirou do peito, em desabafo, a angústia de trabalhar num sistema onde tudo é urgente sem o ser e onde o contrário também é verdade, onde o dia de ontem também conta como prazo para qualquer coisa que nos pedem hoje, não poder raciocinar, planificar e acabar embrulhado na desorganização que contraria tudo o que se deseja fazer com perfeição.


Falou ainda das incongruentes e constantes pressões de trabalho transformadas em casos de vida ou morte que, colocadas em perspectiva, daqui a um par de meses, têm tanta importância como as fraldas dos cavalos que passeiam turistas NOS Jerónimos. Nenhuma. E mais um chorrilho de considerações sobre esta forma desgastante de trabalhar à Portuguesa.

Quando terminou disse-lhe,


“Ainda bem que trabalhamos à Portuguesa!”


Ficou indignado. Recuperou a tempo de me perguntar porquê.


“Porque é em Portugal que trabalhamos.”


Tão velho como o mundo "Em Roma sê Romano"




quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Cuidem dos meus netinhos



A política está, de facto, a mudar. E o PSD está na vanguarda da inovação. A visão de futuro, plasmada na sua campanha eleitoral, é esmagadora.


A prova está nos “dizeres” dos cartazes que, entretanto, espalhou pelo Pais.


Utilizar o espaço, tempo e dinheiro da campanha a apelar ao voto no PS é uma estratégia de um arrojo que pasma.
Será, também, o primeiro Partido político a conseguir a proeza profética de produzir frases de campanha que são actuais hoje, durante a campanha, se ganhar ou se perder e durante o mandato do próximo governo.


Vejamos com atenção duas das frases de campanha deste PSD peregrino.


“Olhem por quem mais precisa” e “Façam Politica com as pessoas”


O PSD apela para que alguém, que não o PSD, que venha a governar, olhe por quem mais precisa e que faça politica com as pessoas. Se sentisse que tinha condições para governar escreveria “Olharemos por quem mais precisa” e “Faremos Politica com as pessoas”


Se assim for, que se dê o mérito da hombridade ao PSD. Não tendo programa, não apresentando soluções para o Pais e na certeza que tem uma lista de candidatos a deputados risível, sabe que não conseguirá governar. A bem da Nação, desiste antes de começar …e utiliza a campanha para dar conselhos ao futuro governo.


E se ganhar ?


Se ganhar, a Manuela Ferreira Leite terá que encaixar o Santana Lopes no Governo, verificar se o António Preto volta a Portugal cada vez que for de férias para o estrangeiro e olhar com carinho materno para um Pacheco Pereira a tentar encontrar Santarém num mapa da Michelin de 1989.


E, assim sendo, não dará por mal empregue o dinheiro que gastou nos cartazes. Vai precisar deles mais que nunca e continuarão actuais. Dessa forma tentará pela cansaço da mensagem repetitiva, como num “1984” de George Orwell, que os seus companheiros de direita cumpram as suas promessas de esquerda.


Poderá, então, de qualquer uma das formas, cuidar dos netitos com a consciência que prestou um serviço ao País.


O sublime da inovação está no facto de ter a meta e a linha de partida no mesmo sítio e de estar sempre actual mesmo que fora de tempo.


Concorre para não ganhar e ganha se perder….Apenas perde se ganhar. Mas, nesse caso de probabilidade absurda, perderemos todos.



segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Aquela Festa



Demorei 10 dias a compor, no meu fragmentado cérebro, as palavras certas que espelhassem o Jubilo que senti na minha festa de aniversário. A minha (inexcedível, diga-se) mulher, organizou a melhor festa de aniversário que já tive.


Não consigo, confirma-se gramaticalmente inviável, agradecer por palavras todo o esforço e empenho que a minha mulher dedicou a organizar esta festa. A minha sogra Dolores deu aquela constante e inestimável ajuda para que tudo acontecesse.


Com o devido desconto de me ter espiolhado o telefone, conspirado e mentido inclusivamente com os dentes do siso que ainda nem lhe nasceram, o resultado final foi assombrosamente bom! Fica a Jurisprudência caseira…Em sede de causa maior, lembrem-se que alguns fins justificam os meios!
Depois lá em casa conversamos, agora que já me passou a ressaca (o vinho era bom que era uma miséria – Sogro Dix It)


Nem sequer faltou a pessoa mais importante. O meu filho Santiago! Até ele sabia mas nem nas mudas da fralda se descoseu, pelo menos metaforicamente. Deu-me um beijo quando saí (a Horas!!!) de casa para Jantar. Apenas me disse, com o olhar, que não gostava lá muito que eu lhe chama-se “filho de um bêbado”, como fiz no dia seguinte ao casamento da Rita e do Pancada na Zambujeira do Mar.


Em jeito, com esperança no trejeito das palavras, fica a minha homenagem aos amigos:


“Estavam escondidos num corredor estreito. Era aconchegante para uns e aborrecido para outros. A ideia só podia ser do Nuno Antão. Não perde uma oportunidade para envolver os amigos com calor humano. Quando entrei no restaurante com a Joana, deu-se o grito do Ipiranga e vai de soltar os prisioneiros. Foi refrescante para uns e…aborrecido para outros.


O Miguel Pires, inconfundivelmente genuíno, deu-me aquele abraço que lhe traça o perfil, aproveitando para traçar o meu “ Malandrão!” – Tratou-me carinhosamente como sempre me trata.
Senti cada abraço e cada beijo enquanto me recompunha da surpresa e lhe fazia a metamorfose para a alegria eufórica.


Sentamo-nos à mesa. Estava em “U”, bem-disposta, como nós. Tive a honra de provar o primeiro trago do Vinho escolhido pelo Restaurante. O senhor que serviu, brasileiro de seu nome, perguntou-me se estava bom. Disse-lhe que era uma merda. Ele anuiu, encheu-me o copo e trouxe mais garrafas. Começou aqui o namoro do brasileiro com o Chico Miguel. Acabou em bem. O Chico Miguel, sensato, decidiu-se por levar a Rita para o Maxim (já lá chego) para desgosto de tão formoso baiano.


Trocámos de Vinho com a superior anuência do afamado enólogo Nuno Cayolla, que nas suas arriscadas expedições ao Douro me tem relatado os segredos do néctar e que, á minha direita, me fazia gestos codificados (eu acho que aquilo eram sinais de jogador de Sueca, mas não entendo nada de cartas) com os quais ritmava o saltar das rolhas. O Pedro Catarino validava. Mais discreto sorriu para mim como que a dizer que o Cayolla ainda “tinha o que era preciso”!
A Catarina Lins estava neste enclave. Ao lado do seu Pedro, tendo como painel frontal o Enólogo, a sempre fiel Minie e a Sofia, debatia-se entre a alegria do Jantar e a solidariedade que sentia pelos vizinhos do Restaurante que queriam dormir. Por fim, olhou para a Minie e disse “Que se lixem, tivessem tirado Direito e esta espelunca já estava fechada”. A Minie , que é muito sensorial mas ainda não lê pensamentos, levou com a frase de chofre e sem contexto. Apoiou-se na amiga Sofia que estava ao seu lado. “Estás a ver Sofia? Eu não te digo que esta miúda anda a trabalhar demais? Quando ela põe a mão na anca, ui, ui!” A Sofia riu-se para mim. Dedo circular na zona da têmpora, situou-se geograficamente. Estava rodeada de malucos.


Maluca estava a Quirino. Nas nuvens e “noivens” com o grande Gonçalo (que fez anos a 25 e me deu a honra de partilhar comigo o primeiro pedaço do seu aniversário), oferecia-me a irmandade do perdão. É preciso ser maluca para perdoar um gajo que, um mês antes, se tinha esquecido de lhe ligar a dar os parabéns. Como se não bastasse, vai à festa de aniversário desse meliante em vésperas de comemorar o aniversário do Gonçalo noivo. E todos sabemos que temos de estar muito em forma nesses dias. Sinto-te como uma irmã, Joana Quirino!!!


As surpresas não acabavam. O Telmo e a Inês chegaram um pouco mais tarde. Reconheça-se o esforço deste homem que tinha avião marcado, nessa madrugada, para Washington e que, com a sua “macaquita”, bateu Lisboa até ter coragem para se aproximar do embrulho do Ipod que , também, me viria a oferecer! O vinho até lhe caiu mal, mas o gesto ficou-lhe tão bem! Amigo Telmo isso é de homem (não é panisga)! Amiga Inês, aceita lá o Mercedes que o rapaz está cheio de força!


Com a barriga bem cheia (pelo menos de vinho), era hora dos “pesentes”! O Justino enviou-me um queijo. Até aqui se vê o quão genuíno é um amigo. É este o Justino que eu admiro, um homem de personalidade inconfundível. Existem queijos mais valiosos que Ferraris.


A Rita e o João ofereceram-me uma Garrafa autografada. Rita, vou guardar aquele vinho. Um dia serás uma enóloga de renome internacional. Vou ter o mesmo orgulho na amizade, a garrafa, para mim, vai ter o mesmo valor sentimental….Mas não é todos os dias que se tem, em casa, um Livro de Saramago autografado.


A Sónia e o Nuno Lazaro ofereceram-me um Livro do Obama. Vou ler com carinho…Mas apenas para confirmar o que já me foi ensinado por vocês dois. O que dizemos, quem somos e o que nos une é esse desejo inabalável por algo melhor para os nossos filhos. A admiração que tenho por vocês, em separado como indivíduos, e pela família que são, num todo, é gigante!


O Ipod que o Telmo acabou por eleger como melhor presente da noite foi, também, da Joana Quirino, Gonçalo, Catarina Lins, Pedro Catarino, Nuno Cayolla, Minie, Sofia, Inês, Rita, Pancada, Miguel Pires e Nuno Antão. Vou lá gravar a minha voz. Depois vou aprender a escrever e, quem sabe, um dia, não sai dali uma coisa gira!
E não me posso esquecer dos que não puderam mas que quiseram. Para mim, Joana Quirino, também um simples telefonema tem muita importância! :-)


O Tito, expert em tácticas evasivas de controlo Aeroportuário de gado bravio, ligou para me avisar que, sem ele, ninguém podia entrar na Portela.


O Mitxo cuidava da Prol na Praia da Rocha. Senti-lhe a sinceridade de sempre e sei que não estava porque não podia mesmo. Mas podia o mais importante e o mais importante aconteceu.


O Paulo Miguel, companheiro das 50 e de outras cavalarias, melhor piloto que já conheci e com quem ia indo desta para melhor à saída da Chamusca (Yamaha Diversion 600, lembras-te?), também nem precisava de me dizer ao telefone. Sei que não estava só mesmo porque não podia.


Por fim, mas não no fim, veio o Zé Braza (amo-te “marmão”) e a minha cunhadinha Daniel. Deram-me uma caixa e fizeram-me correr mundo. Na viagem estava incluído um teaser . Seria hoje que me fariam sair do Armário? Pois foi, cedi. Despi o pai de família e vesti o Mankini (aquilo não é assim tão mau. Tenho de o pôr ao uso lá em casa). Felizmente pensaram em tudo. E deram-me tudo para nada me faltar. Sabiam que nada tinha para mostrar e, até nisso, mostraram toda a Fraternidade. Lá vinham os enchimentos para parecer bem na foto. Banana de tamanho europeu (não fosse parecer a coisa artificial) e palha para o volume (onde raio foste desencantar palha verdadeira, Zé?). Simplesmente Genial!


Assim fomos rindo e bebendo. O vinho estava melhor, que a língua era de cortiça. Mas era preciso ir beber mais um copo.


Saímos do Restaurante Às 02h00 manhã. O Chico lá ia explicando ao brasileiro que não podia ir connosco.
Saímos brindados pela água benta dos vizinhos sem sono. O vinho, sempre bom conselheiro, fez-me desafiar o sacana para um mano a mano à moda antiga. “Agarrem-me que eu vou-me a ele”. Felizmente que ele não desceu. Levar uma carga de porrada no dia de anos não me parece um bom programa.


Maxim, chegámos.


O Manuel João Vieira não estava. Bem, ele, verdadeiramente, nunca está bem onde está, mesmo que esteja onde estamos, com ele. Foi ele que, há dois anos, me deu bons conselhos de casamento na minha despedida de solteiro. Se resulta? Bem, continuo casado, não continuo?


Sentámo-nos num dos cubículos vintage que fizeram a delicia de miúdos e graúdos em idos tempos. A mistura desse imaginário com aquela espécie de carpete vermelha que reveste os sofás gastos é genial.


A noite era de Jazz. A minha mulher foi falar com o DJ. Hugo Pedro era o nome. Jeff Buckley era urgente. O palco era nosso enquanto a sopeira do Bar não parava de me pedir notas de 20 euros.
A Rita deu-me a honra de dançar “I´m your Man” de Leonard Cohen, o mestre, em palco. A minha mulher discutia animadamente com o Nuno Antão e com o Chico Miguel. O tema era o mesmo de todas as minhas noites de amigos. Politica. Nuno Cayolla era o mediador, não dizia nada. Um capacete azul da ONU. Culpa do Chico Miguel. Às 5 da manhã a picar o proletariado da política?


Sobreviveram alguns mas, no meu imaginário, ficaram todos.
Depois de todo um trabalho de 2 meses, a minha mulher ainda levou o carro para casa, deitou-me, puxou-me uma mantinha e deu-me um beijo na testa!
Como pagar esta divida? Não se pagam dividas a quem partilha connosco um amor incondicional. Apenas temos de tentar ser um pouco melhores todos os dias. Amo-te.


No outro dia não chamei “filho de um bêbado” ao Santiago. Não chamei mas pensei, com o único neurónio sobrevivente. Ele percebeu. Disse que não tinha mal. A única coisa que queria era que jamais esquecesse o valor dos amigos. Todos os que vieram e, também, os que não puderam. E a coragem da Sónia e do Nuno Lazaro que deixaram o amigo dele, o Afonso, em Alpiarça, que ainda mama de 3 em 3 horas, para vir a Lisboa Jantar com o pai.

Não é preciso que me recordes, filho. Jamais. "
Se chegaram aqui, tomem lá o video!!!
Obrigado,meu Amor!