segunda-feira, 7 de setembro de 2009

"TOTÓS"

Lembram-se daquele “Totó” que havia em todas as turmas e que tirava sempre boas notas?

Alvo de eleição para partidas e tropelias era o “Totó”, invariavelmente, o primeiro a ser premiado com uma alcunha.

Seguia-se um ano lectivo de solidão para este triste ser. A solidão e isolacionismo eram constantes que caminhavam a par e passo com outra constante. Os bons resultados escolares.

Hoje, à distancia, consigo perceber o porquê. O “Totó” era um mau exemplo para os outros. Como trabalhava e se esforçava por objectivos e resultados, tinha de ser ridicularizado. Se os seus pares caíssem na asneira de fazer dele um exemplo, então todos tinham de trabalhar ao seu ritmo, provar do seu esforço e amargurar por tempos de brincadeira perdidos.
Acresce o problema de que a figura de “Totó” transitaria para o puto com pinta de brigão que teria de bater em muito mais gente.

A luta entre Sindicatos dos Professores e Ministério da Educação não é muito diferente. Existem “totós”, putos brigões e miúdos que só querem mesmo é passar de ano.

Ao longo dos anos os professores foram desenhando, dentro da sua Classe, as suas próprias personagens. Os “totós”, poucos, foram-se dedicando à escola, aos alunos e à pedagogia. Os putos brigões faziam excursões da “sande e mini” à Av. 5 de Outubro, arrastando os que só sonham em passar de ano, para reclamar mais direitos.

Deveres?
Apenas aqueles que são exigidos aos alunos, ou seja, aparecer lá na escola, assinar o livro de ponto e já está.

Depois era esperar que os anos fossem passando. Passando o tempo e passeando pelos buracos desse coadouro da não existencia de qualquer critério de avaliação, para chegar à reforma com o mesmo vencimento dos colegas “Totós”… que ficaram na escola, a trabalhar.

Os alunos, pelo menos, para além da presença física, ainda tinham de apresentar resultados para serem avaliados pelos Professores. Professores que, por sua vez, avaliavam e ajudavam a criar mais “Tótós”.

O que ninguém parece perceber é que os alunos, vão questionando a autoridade, pelo menos moral, dos seus mestres.

Valerá a pena ser “totó” quando se tem pela frente, como modelo a seguir, um “puto brigão”?

domingo, 6 de setembro de 2009

30 Catarina




Tão poucas palavras para um agradecimento tão intenso.

As lágrimas, genuínas como tu, chegaram ainda a tempo de envolverem as palmas dos amigos e mesmo a tempo de se fundirem com o fumo das velas do teu bolo de aniversário.

Registei, uma por uma, cada palavra. Não foi difícil por serem poucas, foi por serem tão sentidas. Sentidas por ti e por quem te ama.

“30 Anos, 30 pessoas…as pessoas mais importantes da minha vida”.

A minha singela homenagem, na honra de pertencer a esse punhado pessoas que tens no coração, é contar-te o que não viste…na tua própria festa.

Como um caranguejo

Começo pelo fim. Arribei a casa sóbrio e exausto. Não Cayolla, nem sempre te posso acompanhar. Perdoa-me a falta de solidariedade, meu bom amigo. Exausto, não da festa, mas da espontânea tarefa de consultor, da qual foi incumbido, para futuros Papás. Foram workshops sucessivos a carecer de sensibilidade estratégica para não influenciar decisões e acordos firmados entre pombinhos. Sóbrio pela mesma razão.
Recebidos, eu e a Joana, por uma esplendorosa aniversariante, linda de morena e de branco vestida, fomos encaminhados, de imediato, para o quarto. (espero que ninguém leia este paragrafo isolado, não vá parecer que eu e a minha mulher fomos a outro tipo de festa).

O Quarto da Catarina

Conclave no Quarto, iniciei os meus labores. O André apanhou-me e, naquele registo de sorriso contagiante e sincero, com um humor inteligente e refinado que é a sua marca água, esbofeteou-me sucessivamente e sem piedade com todas as perguntas que se lembrou sobre a paternidade. Dei-lhe a realidade nua e crua, sempre supervisionada com a experiencia do Gonçalo que já tem 4 anos maravilhosos de Diana. Fiz o meu melhor, mas fiz mal. Dizer-lhe que acordo ao Sábado às 06h30 arrasou-lhe os sonhos de uma paternidade breve. Querida amiga Carla, perdoa-me que não sei o que faço, nem tão pouco o que digo!

Enganar criancinhas

Mas quem “ensina” também aprende. Contou-me, o André, como se engana um filho. Em duas experiencias. Uma na primeira pessoa e outra como observador. Observou nos Açores, com a sua Carla, como é que uns amigos, que têm um pequenote que só gosta de Bife, lhe dão peixe para comer. Para enganarem o petiz fazem polvo gizado, cortam os braços do bicho às fatias e tiram os tentáculos. O petiz pergunta o que é aquilo. Eles dizem que é “Bife de Polvo, filho!”. E o puto sorve o suculento bife enquanto o imagina o animal a pastar numa pradaria.
Na primeira pessoa, ele próprio, como vitima destes esquemas escabrosos do Pais. Para largar a chucha prometam-lhe que lhe dariam um equipamento do Benfica. Ela largou a chucha mas deram-lhe apenas uma bandeira. Hoje, ainda traumatizado, relata a história com os olhos molhados. Comprou lugar cativo na luz, presumo eu, para compensar o desconsolo da abstinência da chucha.

Conselhos Parvos

A Carla e o Daniel também quiseram saber um pouco mais deste desporto radical de ser Pai. O que lhes contei do parto da Joana, do facto de ela não dormir 8 horas seguidas há quase 7 meses e da revolução da vida burguesa que se leva antes de ter um filho, empurrou a Carla para uma reflexão mais ponderada. O Daniel, no seu registo alternativo que não cessa de me surpreender, dissertou sobre o Diploma de Mérito que Mussolini atribuía às mães italianas com mais de 4 filhos.

O Telmo e a Inês continuam eufóricos com a aproximação da data do nó. Perguntou-me, quando saiamos às 2 da manhã, assim do nada, se eu tinha algum conselho para lhe dar, como que saído da algibeira. Aquela hora, com vinho Cheda do Douro, disse-lhe que podia ser boa ideia fazer um Ramadão até ao casamento para ter uma Lua-de-Mel inesquecível. Por falar em conselhos parvos….

A Varanda

Na varanda, em animada conversa com o Gonçalo, ele repara na reluzente menina que esta sozinha na outra ponta. Pergunta-me se eu a conheço e se posso fazer as honras. Viro-me e vejo a minha boa e fiel amiga Joana Quirino…que já é noiva do Gonçalo. Entro na brincadeira. Ela não se mostra interessada. Diz-me que a Morangoska lhe assenta melhor que os olhos azuis do meu amigo. No fundo é amor profundo. Afinal, a Joana e o Gonçalo, vão casar já daqui a 2011.

O Pedro Catarino

Entra o co-anfitrião em cena. O Pedro é um companheiro fantástico. Para a sua Catarina e para os amigos. Perfil discreto mas sempre presente, não permite que ninguém se sinta sozinho. Na varanda, na cozinha, no quarto, na sala. O Pedro está em todo o lado, tem sempre algo inteligente para dizer, mesmo depois de ouvir, durante intermináveis minutos, teorias e lamurias sobre os jogos de sombras do mundo da política. Concluiu, para os que se queixavam das deslealdades, facadas nas costas, rasteiras e tropelias, com uma frase que nos estalou na cara;
“Mas essas são as regras, não são?”

Chegar antes para contar depois

Desta vez não fomos os últimos. Para quem, como eu, tem o hábito nefasto das más relações com os relógios, chegar antes e receber os outros é uma experiência que aconselho. Aprende-se imenso porque cada pessoa que chega vem imbuída num pensamento e numa história anseia partilhar com os amigos.

A Minie vinha radiante de Londres. Tinha viajado em classe executiva, na Easy Jet, na companhia do Económico CEO da Virgin Portugal.

O Miguel tinha vindo de Londres, também, mas propositadamente para festa da sua “irmã”. Vinha com Gripe A mas não o podíamos mandar embora depois de todo aquele sacrifício. Ele lá ia dizendo que era do Ar Condicionado mas a malta passou a grande parte da festa a lavar e a esfregar as mãos pensando nos folhetos e anúncios que nos infestam de medo. Tenho cá para mim que os accionistas da Roche também esfregam as mãos, mas não é com água.

A Nádia, minha futura colega de Governo, contagia-me sempre com o sorriso aberto e com uma energia positiva tão própria dos bons. Não falámos muito mas fumámos uns cigarros enquanto se assistia à vida privada dos vizinhos da frente.

Paulinha, a cidadã. Já não nos víamos há muitas luas mas existem coisas que não mudam. A Paulinha é daquele tipo de pessoas que não se esquecem e com quem reiniciamos uma conversa que ficou a meio, há mais de um ano, como se tivesse ocorrido a semana passada. Inolvidável.

Enjoar o desenjoo

A Sofia reconheceu-me. Sem fato e gravata, no registo informal que tanto gosto, falámos sobre a maratona que é enjoar e desenjoar dos restaurantes na zona onde trabalhamos. A Marta Telles concordava. Somos todos vizinhos. È um circo e um ciclo. Vamos uns meses a um restaurante e enjoamos. Passamos ao próximo e voltamos a enjoar. Até que damos por nós a almoçar no primeiro que enjoamos,já enjoados de todos os outros.
Até falamos de um tal restaurante na Av 5 de Outubro que, segundo a Sofia, tem empregadas "recicladas". Ingénuo, quis saber mais sobre esse conceito. “Epá, trabalhavam todas numa casa de meninas quando eram mais novas. Agora são empregadas de mesa”. Pensando bem Sofia…

2.oo p.m.

Senti uma vibração no bolso das calças. A Joana já estava à minha espera. O Telmo, a Inês a Sofia eram as damas de companhia de minha dama. A Rua estava lotada de novas cores, tendências e gostos. A Catarina, anfitriã e bar-killer, já não se importa muito. Despedi-me e desci. Rua abaixo, fui falando com o Telmo sobre os putos de hoje em dia. Tatuados, trongos no vestir, radiantes no calçar e todos furados, parece que não têm valores nem objectivos. Claro que têm. São os deles. Necessariamente diferentes dos nossos, para que possam sentir a amargura da crítica, a ousadia de ser diferente , o gosto de estar desalinhado. Nós também crescemos assim. Agarrados a um barco prestes a naufragar a todo momento, lutámos, ganhámos força. A maioria chegou à costa. È por isso que hoje olhamos para este presente com o desdém de marinheiros com pele de cortiça, feitos noutros tempos.

Cai o Pano

Cai o Pano, fim de festa. Nem por isso. A festa de um amigo especial nunca acaba, porque nos fica para sempre impressa. È a nossa memória, faz parte indelével da nossa vida, da nossa identidade.

Porque a identidade de um só é possível com a partilha da identidade de outro.

Parabéns Catarina Lins

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Logica do Tuberculo


Ligou-me um amigo.


Queixou-se intensamente desta forma de trabalhar à Portuguesa, caótica e desorganizada.
Tirou do peito, em desabafo, a angústia de trabalhar num sistema onde tudo é urgente sem o ser e onde o contrário também é verdade, onde o dia de ontem também conta como prazo para qualquer coisa que nos pedem hoje, não poder raciocinar, planificar e acabar embrulhado na desorganização que contraria tudo o que se deseja fazer com perfeição.


Falou ainda das incongruentes e constantes pressões de trabalho transformadas em casos de vida ou morte que, colocadas em perspectiva, daqui a um par de meses, têm tanta importância como as fraldas dos cavalos que passeiam turistas NOS Jerónimos. Nenhuma. E mais um chorrilho de considerações sobre esta forma desgastante de trabalhar à Portuguesa.

Quando terminou disse-lhe,


“Ainda bem que trabalhamos à Portuguesa!”


Ficou indignado. Recuperou a tempo de me perguntar porquê.


“Porque é em Portugal que trabalhamos.”


Tão velho como o mundo "Em Roma sê Romano"




quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Cuidem dos meus netinhos



A política está, de facto, a mudar. E o PSD está na vanguarda da inovação. A visão de futuro, plasmada na sua campanha eleitoral, é esmagadora.


A prova está nos “dizeres” dos cartazes que, entretanto, espalhou pelo Pais.


Utilizar o espaço, tempo e dinheiro da campanha a apelar ao voto no PS é uma estratégia de um arrojo que pasma.
Será, também, o primeiro Partido político a conseguir a proeza profética de produzir frases de campanha que são actuais hoje, durante a campanha, se ganhar ou se perder e durante o mandato do próximo governo.


Vejamos com atenção duas das frases de campanha deste PSD peregrino.


“Olhem por quem mais precisa” e “Façam Politica com as pessoas”


O PSD apela para que alguém, que não o PSD, que venha a governar, olhe por quem mais precisa e que faça politica com as pessoas. Se sentisse que tinha condições para governar escreveria “Olharemos por quem mais precisa” e “Faremos Politica com as pessoas”


Se assim for, que se dê o mérito da hombridade ao PSD. Não tendo programa, não apresentando soluções para o Pais e na certeza que tem uma lista de candidatos a deputados risível, sabe que não conseguirá governar. A bem da Nação, desiste antes de começar …e utiliza a campanha para dar conselhos ao futuro governo.


E se ganhar ?


Se ganhar, a Manuela Ferreira Leite terá que encaixar o Santana Lopes no Governo, verificar se o António Preto volta a Portugal cada vez que for de férias para o estrangeiro e olhar com carinho materno para um Pacheco Pereira a tentar encontrar Santarém num mapa da Michelin de 1989.


E, assim sendo, não dará por mal empregue o dinheiro que gastou nos cartazes. Vai precisar deles mais que nunca e continuarão actuais. Dessa forma tentará pela cansaço da mensagem repetitiva, como num “1984” de George Orwell, que os seus companheiros de direita cumpram as suas promessas de esquerda.


Poderá, então, de qualquer uma das formas, cuidar dos netitos com a consciência que prestou um serviço ao País.


O sublime da inovação está no facto de ter a meta e a linha de partida no mesmo sítio e de estar sempre actual mesmo que fora de tempo.


Concorre para não ganhar e ganha se perder….Apenas perde se ganhar. Mas, nesse caso de probabilidade absurda, perderemos todos.



segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Aquela Festa



Demorei 10 dias a compor, no meu fragmentado cérebro, as palavras certas que espelhassem o Jubilo que senti na minha festa de aniversário. A minha (inexcedível, diga-se) mulher, organizou a melhor festa de aniversário que já tive.


Não consigo, confirma-se gramaticalmente inviável, agradecer por palavras todo o esforço e empenho que a minha mulher dedicou a organizar esta festa. A minha sogra Dolores deu aquela constante e inestimável ajuda para que tudo acontecesse.


Com o devido desconto de me ter espiolhado o telefone, conspirado e mentido inclusivamente com os dentes do siso que ainda nem lhe nasceram, o resultado final foi assombrosamente bom! Fica a Jurisprudência caseira…Em sede de causa maior, lembrem-se que alguns fins justificam os meios!
Depois lá em casa conversamos, agora que já me passou a ressaca (o vinho era bom que era uma miséria – Sogro Dix It)


Nem sequer faltou a pessoa mais importante. O meu filho Santiago! Até ele sabia mas nem nas mudas da fralda se descoseu, pelo menos metaforicamente. Deu-me um beijo quando saí (a Horas!!!) de casa para Jantar. Apenas me disse, com o olhar, que não gostava lá muito que eu lhe chama-se “filho de um bêbado”, como fiz no dia seguinte ao casamento da Rita e do Pancada na Zambujeira do Mar.


Em jeito, com esperança no trejeito das palavras, fica a minha homenagem aos amigos:


“Estavam escondidos num corredor estreito. Era aconchegante para uns e aborrecido para outros. A ideia só podia ser do Nuno Antão. Não perde uma oportunidade para envolver os amigos com calor humano. Quando entrei no restaurante com a Joana, deu-se o grito do Ipiranga e vai de soltar os prisioneiros. Foi refrescante para uns e…aborrecido para outros.


O Miguel Pires, inconfundivelmente genuíno, deu-me aquele abraço que lhe traça o perfil, aproveitando para traçar o meu “ Malandrão!” – Tratou-me carinhosamente como sempre me trata.
Senti cada abraço e cada beijo enquanto me recompunha da surpresa e lhe fazia a metamorfose para a alegria eufórica.


Sentamo-nos à mesa. Estava em “U”, bem-disposta, como nós. Tive a honra de provar o primeiro trago do Vinho escolhido pelo Restaurante. O senhor que serviu, brasileiro de seu nome, perguntou-me se estava bom. Disse-lhe que era uma merda. Ele anuiu, encheu-me o copo e trouxe mais garrafas. Começou aqui o namoro do brasileiro com o Chico Miguel. Acabou em bem. O Chico Miguel, sensato, decidiu-se por levar a Rita para o Maxim (já lá chego) para desgosto de tão formoso baiano.


Trocámos de Vinho com a superior anuência do afamado enólogo Nuno Cayolla, que nas suas arriscadas expedições ao Douro me tem relatado os segredos do néctar e que, á minha direita, me fazia gestos codificados (eu acho que aquilo eram sinais de jogador de Sueca, mas não entendo nada de cartas) com os quais ritmava o saltar das rolhas. O Pedro Catarino validava. Mais discreto sorriu para mim como que a dizer que o Cayolla ainda “tinha o que era preciso”!
A Catarina Lins estava neste enclave. Ao lado do seu Pedro, tendo como painel frontal o Enólogo, a sempre fiel Minie e a Sofia, debatia-se entre a alegria do Jantar e a solidariedade que sentia pelos vizinhos do Restaurante que queriam dormir. Por fim, olhou para a Minie e disse “Que se lixem, tivessem tirado Direito e esta espelunca já estava fechada”. A Minie , que é muito sensorial mas ainda não lê pensamentos, levou com a frase de chofre e sem contexto. Apoiou-se na amiga Sofia que estava ao seu lado. “Estás a ver Sofia? Eu não te digo que esta miúda anda a trabalhar demais? Quando ela põe a mão na anca, ui, ui!” A Sofia riu-se para mim. Dedo circular na zona da têmpora, situou-se geograficamente. Estava rodeada de malucos.


Maluca estava a Quirino. Nas nuvens e “noivens” com o grande Gonçalo (que fez anos a 25 e me deu a honra de partilhar comigo o primeiro pedaço do seu aniversário), oferecia-me a irmandade do perdão. É preciso ser maluca para perdoar um gajo que, um mês antes, se tinha esquecido de lhe ligar a dar os parabéns. Como se não bastasse, vai à festa de aniversário desse meliante em vésperas de comemorar o aniversário do Gonçalo noivo. E todos sabemos que temos de estar muito em forma nesses dias. Sinto-te como uma irmã, Joana Quirino!!!


As surpresas não acabavam. O Telmo e a Inês chegaram um pouco mais tarde. Reconheça-se o esforço deste homem que tinha avião marcado, nessa madrugada, para Washington e que, com a sua “macaquita”, bateu Lisboa até ter coragem para se aproximar do embrulho do Ipod que , também, me viria a oferecer! O vinho até lhe caiu mal, mas o gesto ficou-lhe tão bem! Amigo Telmo isso é de homem (não é panisga)! Amiga Inês, aceita lá o Mercedes que o rapaz está cheio de força!


Com a barriga bem cheia (pelo menos de vinho), era hora dos “pesentes”! O Justino enviou-me um queijo. Até aqui se vê o quão genuíno é um amigo. É este o Justino que eu admiro, um homem de personalidade inconfundível. Existem queijos mais valiosos que Ferraris.


A Rita e o João ofereceram-me uma Garrafa autografada. Rita, vou guardar aquele vinho. Um dia serás uma enóloga de renome internacional. Vou ter o mesmo orgulho na amizade, a garrafa, para mim, vai ter o mesmo valor sentimental….Mas não é todos os dias que se tem, em casa, um Livro de Saramago autografado.


A Sónia e o Nuno Lazaro ofereceram-me um Livro do Obama. Vou ler com carinho…Mas apenas para confirmar o que já me foi ensinado por vocês dois. O que dizemos, quem somos e o que nos une é esse desejo inabalável por algo melhor para os nossos filhos. A admiração que tenho por vocês, em separado como indivíduos, e pela família que são, num todo, é gigante!


O Ipod que o Telmo acabou por eleger como melhor presente da noite foi, também, da Joana Quirino, Gonçalo, Catarina Lins, Pedro Catarino, Nuno Cayolla, Minie, Sofia, Inês, Rita, Pancada, Miguel Pires e Nuno Antão. Vou lá gravar a minha voz. Depois vou aprender a escrever e, quem sabe, um dia, não sai dali uma coisa gira!
E não me posso esquecer dos que não puderam mas que quiseram. Para mim, Joana Quirino, também um simples telefonema tem muita importância! :-)


O Tito, expert em tácticas evasivas de controlo Aeroportuário de gado bravio, ligou para me avisar que, sem ele, ninguém podia entrar na Portela.


O Mitxo cuidava da Prol na Praia da Rocha. Senti-lhe a sinceridade de sempre e sei que não estava porque não podia mesmo. Mas podia o mais importante e o mais importante aconteceu.


O Paulo Miguel, companheiro das 50 e de outras cavalarias, melhor piloto que já conheci e com quem ia indo desta para melhor à saída da Chamusca (Yamaha Diversion 600, lembras-te?), também nem precisava de me dizer ao telefone. Sei que não estava só mesmo porque não podia.


Por fim, mas não no fim, veio o Zé Braza (amo-te “marmão”) e a minha cunhadinha Daniel. Deram-me uma caixa e fizeram-me correr mundo. Na viagem estava incluído um teaser . Seria hoje que me fariam sair do Armário? Pois foi, cedi. Despi o pai de família e vesti o Mankini (aquilo não é assim tão mau. Tenho de o pôr ao uso lá em casa). Felizmente pensaram em tudo. E deram-me tudo para nada me faltar. Sabiam que nada tinha para mostrar e, até nisso, mostraram toda a Fraternidade. Lá vinham os enchimentos para parecer bem na foto. Banana de tamanho europeu (não fosse parecer a coisa artificial) e palha para o volume (onde raio foste desencantar palha verdadeira, Zé?). Simplesmente Genial!


Assim fomos rindo e bebendo. O vinho estava melhor, que a língua era de cortiça. Mas era preciso ir beber mais um copo.


Saímos do Restaurante Às 02h00 manhã. O Chico lá ia explicando ao brasileiro que não podia ir connosco.
Saímos brindados pela água benta dos vizinhos sem sono. O vinho, sempre bom conselheiro, fez-me desafiar o sacana para um mano a mano à moda antiga. “Agarrem-me que eu vou-me a ele”. Felizmente que ele não desceu. Levar uma carga de porrada no dia de anos não me parece um bom programa.


Maxim, chegámos.


O Manuel João Vieira não estava. Bem, ele, verdadeiramente, nunca está bem onde está, mesmo que esteja onde estamos, com ele. Foi ele que, há dois anos, me deu bons conselhos de casamento na minha despedida de solteiro. Se resulta? Bem, continuo casado, não continuo?


Sentámo-nos num dos cubículos vintage que fizeram a delicia de miúdos e graúdos em idos tempos. A mistura desse imaginário com aquela espécie de carpete vermelha que reveste os sofás gastos é genial.


A noite era de Jazz. A minha mulher foi falar com o DJ. Hugo Pedro era o nome. Jeff Buckley era urgente. O palco era nosso enquanto a sopeira do Bar não parava de me pedir notas de 20 euros.
A Rita deu-me a honra de dançar “I´m your Man” de Leonard Cohen, o mestre, em palco. A minha mulher discutia animadamente com o Nuno Antão e com o Chico Miguel. O tema era o mesmo de todas as minhas noites de amigos. Politica. Nuno Cayolla era o mediador, não dizia nada. Um capacete azul da ONU. Culpa do Chico Miguel. Às 5 da manhã a picar o proletariado da política?


Sobreviveram alguns mas, no meu imaginário, ficaram todos.
Depois de todo um trabalho de 2 meses, a minha mulher ainda levou o carro para casa, deitou-me, puxou-me uma mantinha e deu-me um beijo na testa!
Como pagar esta divida? Não se pagam dividas a quem partilha connosco um amor incondicional. Apenas temos de tentar ser um pouco melhores todos os dias. Amo-te.


No outro dia não chamei “filho de um bêbado” ao Santiago. Não chamei mas pensei, com o único neurónio sobrevivente. Ele percebeu. Disse que não tinha mal. A única coisa que queria era que jamais esquecesse o valor dos amigos. Todos os que vieram e, também, os que não puderam. E a coragem da Sónia e do Nuno Lazaro que deixaram o amigo dele, o Afonso, em Alpiarça, que ainda mama de 3 em 3 horas, para vir a Lisboa Jantar com o pai.

Não é preciso que me recordes, filho. Jamais. "
Se chegaram aqui, tomem lá o video!!!
Obrigado,meu Amor!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Sexo Abrupto ...Aprender à Bruta

Sentado na cadeira do Soba, desabafava com a minha mulher sobre a falta de leitores do meu Blog. A génese do Blog nunca brotou de megalomanias literárias. Mas ter apenas um comentário num dos post´s também é ridículo.

Disse-lhe que a melhor solução era criar um blog sobre sexo.
Sexo “vende” sempre. Curiosamente, também, sempre se comprou e vendeu.

Mas, para abordar este tema, é preciso um subtema. Se erguermos o tema sexo teremos, certamente, que ser mais explícitos..tão explícitos como o próprio. Por outras palavras, sexo é tão vago como marisco. Uns vão pensar em gambas, outros em lagosta, outros em amêijoas à Bulhão Pato…poucos vão chegar ao requinte de adicionar cerejas e champanhe…Mas isso era conversa para o resto da noite.


Quis saber, na sua perspectiva, que subtema seria do meu domínio ou que fosse interessante para criar um Blog que alguém gostasse de ler.


A minha mulher sugeriu então o tema: “Sexo depois da parentalidade”.
Meditei sobre a sugestão e respondi-lhe algumas horas depois.


“Não posso fazer um Blog sobre sexo depois da parentalidade ……É que não tenho nada para escrever lá!”

Conselho do Duende:


As respostas espontâneas são as mais profundamente genuínas que ouvirás, se apenas te deres ao trabalho de reflectir sobre elas.
Não faças perguntas para as quais não queres ouvir a resposta.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Comam mais Bolas


Vendedor de Bolas de Berlim. Palmilha areia, discurso ensaiado e gasto como a solas dos pés comidas da areia.

"Chegaram as bolas da Ti Maria. Quentinhas, boas e fresquinhas! Olha as bolinhas!" Castiga os gémeos ate ao próximo cliente.

"Senhor, aqui por favor" -alguém reclama.

"Com ou sem?" – pergunta em código da confraria das Bolas de Berlim.
"Sem!" - resposta pronta de quem já se deu mal com os cremes ou se da mal com os conceitos da dieta.
A diferença é ténue. Mas é sem creme.

Ainda no mesmo cliente, enquanto a bola rola para o saco de plástico, continua a adiantar serviço - "Venham ver como são belas e frescas as bolinhas. E como andar de carrossel, mete um euro e é sempre a andar” - (confesso que esta não percebi)

"Olhe lá, quando e que agua aquece? É que está um gelo...." - Volte face na conversa, o cliente procura, também, comer da sabedoria deste homem das areias.

O vendedor de bolas tira a mascara e põe um ar contemplativo.
"Meu amigo, enquanto predominar o vento norte e as marés mediterrâneas não agitarem a quietude do mar, não se irá pronunciar o levante. Até lá, se quer água quente, aconselho-o a ficar na toalha....... Bolas, olha as famosas bolas da Ti Maria, quentinhas. Bolas fresquinhas! "
E seguiu o seu caminho. Rouxinol Faduncho dix it


Sabemos que é um erro julgar pelas aparências. Maior erro é julgar antes de ouvir.