"Reflecte profundamente sobre aquilo que perdeste...mas não penses muito nisso."
Autor conhecido, eu.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
terça-feira, 19 de outubro de 2010
O Sexo do Fado Português
Incontáveis são as vezes que amaldiçoamos o nosso fado. Não o Fado cantado em jarros de vinhos e em cama de chouriça assada, antes aquele fado que abraçamos como marca indelével da fatalidade do nosso destino como povo e como nação.
Temos, à mesa, ou à falta dela para fazer a vontade à metáfora, outra crise económica para partilhar. E o fado gingão que brinda a partilha em copo cheio, enegrece num fado triste quando o vinho escasseia e da chouriça só o pão molhado.
Partilhar as facilidades e as dificuldades é uma arte, louvem-se os casais com mais de 7 anos de casamento. Em termos de Nação, essa é ainda arte maior. Nunca o soubemos fazer. Ainda mais tristes e cabisbaixos que o nível da normalidade Lusa, recorremos, primeiro, ao fatalismo para nosso bode de estimação. Depois vêm os políticos, depois os sanguinários patrões, os malandros dos funcionários públicos, os desempregados crónicos e, se a coisa se tornar mais grave, os inúteis dos velhos que nunca mais morrem para não estarem a comer à conta.
Passado o choque inicial vem o conforto da salvação. Afinal existe um pai que nos irá salvar. O “Pai-Estado”. Providente, misericordioso e complacente, o “Pai-Estado” ir-nos-á devolver o que por direito é nosso. Tem sido assim desde a fundação da Nação.
O “Pai-Estado”, no entanto, para socorrer os seus desafortunados filhos, tem tido sempre um Pé-de-Meia. Começou por uns bons casamentos e dotes na corte europeia, trabalhou no Brasil, África e Ásia e vendeu Volfrâmio a um amigo Alemão enquanto abraçava um amigo Americano. Recentemente, foi admitido como sócio no Clube Europeu. È certo que a mesada do Clube foi muito boa e distribuída por alguns filhos, no entanto, e para isso, teve de vender a Agricultura ao amigo Francês e as Pescas ao amigo Espanhol.
Vendidos os anéis, ficaram os dedos. Dedos que serviram, por estar o “Pai-Estado” sem emprego há muitos anos, para pedir dinheiro emprestado aos amigos. Como quem vai ficando a dever na mercearia. A isto chama-se divida externa.
Como não se pode endividar mais, o “Pai-Estado” tem de cortar na mesada dos filhos. A isto chama-se redução da despesa.
E, como se não bastasse, o “Pai-Estado” tem de voltar a arranjar um emprego, vender mais algumas propriedades e pôr alguns dos filhos mais mandriões a trabalhar. A isto chama-se criação de receita.
Com mais receita e menos despesa o “Pai-Estado” pode pagar a sua divida externa.
Subsistirá, no entanto, o problema mais grave de todos e que está a pôr em perigo esta nossa família a que chamamos Portugal. O “Pai-Estado” tem de se sentar com os seus filhos para lhes dizer que já são uns Homens e que chegou a hora de irem com ele trabalhar. De preferência em algo que se possa vender aos amigos do mundo.
Só assim se garantirá, depois de equilibrar a receita e despesa para pagar a divida externa, garantir o futuro….com a criação de riqueza.
Caso contrário, a vida desta família não será apenas triste fado. Será um fado cantado de um País que foi….sexualmente tramado.
Temos, à mesa, ou à falta dela para fazer a vontade à metáfora, outra crise económica para partilhar. E o fado gingão que brinda a partilha em copo cheio, enegrece num fado triste quando o vinho escasseia e da chouriça só o pão molhado.
Partilhar as facilidades e as dificuldades é uma arte, louvem-se os casais com mais de 7 anos de casamento. Em termos de Nação, essa é ainda arte maior. Nunca o soubemos fazer. Ainda mais tristes e cabisbaixos que o nível da normalidade Lusa, recorremos, primeiro, ao fatalismo para nosso bode de estimação. Depois vêm os políticos, depois os sanguinários patrões, os malandros dos funcionários públicos, os desempregados crónicos e, se a coisa se tornar mais grave, os inúteis dos velhos que nunca mais morrem para não estarem a comer à conta.
Passado o choque inicial vem o conforto da salvação. Afinal existe um pai que nos irá salvar. O “Pai-Estado”. Providente, misericordioso e complacente, o “Pai-Estado” ir-nos-á devolver o que por direito é nosso. Tem sido assim desde a fundação da Nação.
O “Pai-Estado”, no entanto, para socorrer os seus desafortunados filhos, tem tido sempre um Pé-de-Meia. Começou por uns bons casamentos e dotes na corte europeia, trabalhou no Brasil, África e Ásia e vendeu Volfrâmio a um amigo Alemão enquanto abraçava um amigo Americano. Recentemente, foi admitido como sócio no Clube Europeu. È certo que a mesada do Clube foi muito boa e distribuída por alguns filhos, no entanto, e para isso, teve de vender a Agricultura ao amigo Francês e as Pescas ao amigo Espanhol.
Vendidos os anéis, ficaram os dedos. Dedos que serviram, por estar o “Pai-Estado” sem emprego há muitos anos, para pedir dinheiro emprestado aos amigos. Como quem vai ficando a dever na mercearia. A isto chama-se divida externa.
Como não se pode endividar mais, o “Pai-Estado” tem de cortar na mesada dos filhos. A isto chama-se redução da despesa.
E, como se não bastasse, o “Pai-Estado” tem de voltar a arranjar um emprego, vender mais algumas propriedades e pôr alguns dos filhos mais mandriões a trabalhar. A isto chama-se criação de receita.
Com mais receita e menos despesa o “Pai-Estado” pode pagar a sua divida externa.
Subsistirá, no entanto, o problema mais grave de todos e que está a pôr em perigo esta nossa família a que chamamos Portugal. O “Pai-Estado” tem de se sentar com os seus filhos para lhes dizer que já são uns Homens e que chegou a hora de irem com ele trabalhar. De preferência em algo que se possa vender aos amigos do mundo.
Só assim se garantirá, depois de equilibrar a receita e despesa para pagar a divida externa, garantir o futuro….com a criação de riqueza.
Caso contrário, a vida desta família não será apenas triste fado. Será um fado cantado de um País que foi….sexualmente tramado.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Homem Português, Homem de Palavra....Palavra?
Sou grande admirador dos Homens de palavra. Daqueles, raros, que fazem promessas e que, precisão Suíça, cumprem com rigor e perfeição.
Gilberto Madaíl é um desses homens. Prometeu, depois do Mundial, que muita coisa iria mudar na Selecção Nacional. E mudou. Foi a primeira vez que empatámos em casa com o Chipre e a primeira vez que perdemos com a Noruega.
Não vale reclamar. O homem, afinal, não disse o que iria mudar!
È este jogo de cintura, tão enraizado na nossa genética, que nos faz únicos no mundo. Não o suficiente para sermos campeões desse mundo e, quem sabe, nem sequer para nos apurarmos para o próximo Europeu. Perfeito, no entanto, para selarmos uma qualidade social, como quem determina a qualidade de um vinho pela sua região, qualidade essa que teima em premiar, medalhar e endeusar os menos capazes na sua profissão….mas mestre na arte da dissimulação.
Esqueçamos as Pescas, a Agricultura e o Turismo. Governantes, o segredo está em apurar e refinar esta qualidade, torná-la uma Denominação de Origem Controlada, oficializar o seu desenvolvimento académico nas Faculdades e exportá-la para Países do Primeiro Mundo e do Terceiro.
Os do denominado Primeiro Mundo estão petrificados pela ética e por um ignóbil ataque à corrupção. A Corrupção, nestes países, corre o risco de descer para níveis tão baixos que serão postos em causa os pilares de qualquer economia que ambicione saúde.
Urgem lições deste swing Português que ensina, como nenhum, como inserir a economia paralela dentro dos cofres do Estado e ainda criar postos de trabalho com esse esquema, pertencer à Zona Euro, ter um défice que ninguém sabe como se calcula realmente, serpentear as Leis e, no final, alguém ser recompensado por isso. Em resumo, fazer regressar esses países às origens do seu desenvolvimento actual.
Ao Países do terceiro Mundo basta polir a diplomacia e politica externa e puxá-los da origem de onde parte sem que a evolução seja disparatada ao ponto de chegarem ao Primeiro mundo.
Percebe-se, basta fechar os olhos, que estamos entre o Primeiro e o Terceiro Mundo. E eu, como também sou Português, acho que assim não está mal de todo. De facto, pensando melhor, até está muito bem mesmo.
Mais vale morrer que ficar paralítico e mais vale estar entrevado do que morrer. Por outras palavras, antes ter estes “Gilbertos” que outros piores. Somos mesmo um povo cheio de sorte, não somos?
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Duas Moedas
Existe um homem que tem um cofre com duas moedas. Tira uma das moedas para salvar a vida a um grupo de mineiros soterrados numa caverna. A outra moeda entrega-a a uma fábrica. Fabricar-se-ão munições para tirar a vida a outros homens que se soterram a si próprios, em outras cavernas, do outro lado do mundo.
Não existem homens iguais porque todos calcorreiam destinos diferentes, assim como as moedas que, mesmo saídas do mesmo cofre, têm o seu próprio e individual caminho para fazer.
Podemos alterar o peso, a medida e o valor de uma moeda. E, desde os primórdios, temos aplicado o mesmo princípio ao valor da vida humana.
Um dia haveremos de sair da puberdade com o sofrimento parturiente da percepção do erro fundamental.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
O respeito dos Ignorantes
"Nunca ambiciones ter o respeito de alguém que, ao contrário de ti, julga ter o futuro assegurado. "
autor conhecido, eu.
autor conhecido, eu.
domingo, 13 de junho de 2010
O meu vizinho tem uma Vuvuzela
O meu vizinho brame a sua Vuvuleza, acaricia-a com os lábios e enche-a de pulmões. O som faz-me lembrar um touro solitário nas lezírias de Vila Franca. Ao primeiro “MUUUUU” a sua mulher sai de casa.
Será que ela sai por não suportar ouvir a Vuvuzela ou será que ele toca porque ela vai, outra vez, sair sem ele?
terça-feira, 8 de junho de 2010
LOST
LOST
O argumento num parágrafo
“Existia uma Ilha que tinha uma rolha. Quem tirasse a rolha rebentava a bolha. Como em tudo na vida, uns queriam tirá-la e outros queriam mantê-la enfiada”
Para que não haja sarilho, o LOST foi, do meu ponto de vista, o melhor argumento televisivo de todos os tempos. Poderão, como defende convictamente a minha mulher, os argumentistas ter tomado demasiados ácidos. È, também, altamente provável que se tenham perdido nos caminhos argumentativos e que, juntando agora as estradas, existam demasiadas rotas sem sentido e a desembocar no vazio.
O segredo do êxito foi usar os ingredientes de sempre e misturá-los numa fórmula nova.
Amor, separação, abnegação, purgatório, paraíso, perda, “achamento”, herói, vilão. Nada de novo nos ingredientes.
A fórmula, no entanto, revolucionou a ciência da argumentação televisiva. Presenteou-nos com uma imagem, quase real que, não obstante a crença ou falta dela, a vida não acaba com a morte. Que existe uma ilha para continuarmos…nem que seja para recordar o que vivemos.
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